Segundo Cássio Pagliarini, consultor da Bright Consulting, o cenário atual representa um «momento excepcional» para quem deseja comprar veículos usados ou seminovos no Brasil, pois os preços desses automóveis não devem apresentar maior depreciação do que os observados atualmente.
Este cenário é resultado de uma combinação de fatores, incluindo um «efeito migração» e uma «guerra de preços», além de um financiamento que se tornou ligeiramente mais acessível, embora as taxas de juros permaneçam um entrave significativo para a compra no país.
O que está acontecendo?
O «efeito migração» ocorre porque muitos consumidores que antes procuravam seminovos (carros com um ou dois anos de uso) passaram a optar por veículos novos chineses. Pagliarini explica que esses modelos chineses são mais acessíveis, incorporam alta tecnologia e são eletrificados, impulsionando um crescimento de cerca de 20% no segmento de carros novos entre 2025 e 2026.
Consequentemente, a diminuição da demanda por seminovos forçou os vendedores a reduzir os valores. Relatórios da OLX corroboram essa tendência: enquanto a inflação de carros novos subiu 1,39% nos últimos 12 meses até junho de 2026, a inflação de carros usados registrou queda de 1,89%, indicando que, em média, os usados ficaram mais baratos.
A dinâmica da guerra de preços
A «guerra de preços» foi catalisada pela entrada de novas marcas, sobretudo chinesas, que trouxeram promoções e descontos sem precedentes. Essa pressão fez com que até fabricantes tradicionais precisassem diminuir seus preços. Assim, o custo real dos carros novos caiu 3,5%. Como o veículo zero se tornou mais barato ou ofereceu mais tecnologia pelo mesmo valor, isso gerou pressão para que os preços dos usados também caíssem.
Essa redução é visível na média de valores anunciados na OLX. Exemplos incluem o Volkswagen Gol 2013 (versão 1.0), que desvalorizou 5,10% em um ano; o Ford Ecosport 2013 automático, com queda de 8,82%; e o Hyundai Tucson 2007 automático, que caiu 7,20%. No nicho de veículos eletrificados de luxo, como híbridos plug-in (PHEVs) e elétricos na faixa de R$ 250 mil a R$ 350 mil, houve desvalorizações acentuadas, superiores a 20%, devido à rápida evolução tecnológica das marcas concorrentes.
Adicionalmente, o crédito ficou mais facilitado: em maio, a taxa Selic recuou para 14,25%, e a taxa média de juros para financiamento de veículos para pessoas físicas atingiu 26,3% ao ano, o que estimulou o volume de empréstimos concedidos.
Contudo, Pagliarini ressalta que a taxa de juros continua sendo um grande impedimento para a aquisição de carros no Brasil, pois ele avalia que «a taxa de juros é alta e faz com que o financiamento seja bastante salgado para comprar o veículo».
Recomendação para o consumidor
Ao ser questionado sobre o que recomendar a um leitor de classe média indeciso entre comprar agora ou esperar, Pagliarini aconselha que, se a pessoa busca um carro usado, «é o melhor momento», reforçando que não haverá preços mais depreciados. Ele sugere a compra imediata de um seminovo ou usado.
Em relação aos veículos novos, ele alerta que há lançamentos futuros, como o Sonic da GM, o i20 da Hyundai e novos modelos da Volkswagen, cujas versões eletrificadas e híbridas leves ainda serão apresentadas. Para quem busca veículos recém-lançados, uma boa oportunidade reside em modelos eletrificados de certas marcas chinesas. Já para os veículos de empresas tradicionais, ele aconselha aguardar pelas versões híbridas leves que estão chegando ao mercado, citando como exemplos o aumento nas vendas do Jeep Renegade após o lançamento da versão eletrificada e o caso da Toro.
