A família de Marta Pérez, uma jovem que desenvolveu lesões cerebrais após consumir um batido, será compensada com uma indenização de 100 mil euros, conforme noticiou a Telecinco.
Um Tribunal de Valência determinou que houve uma falha que levou ao agravamento do estado de saúde de Marta, embora também tenha reconhecido que certos erros não foram de responsabilidade direta da equipe de saúde que a assistiu. Por essa razão, apesar de aprovar a compensação, o tribunal fixou um montante inferior ao solicitado pela família da jovem.
O que aconteceu?
O incidente ocorreu em 28 de setembro de 2022, quando Marta consumiu um batido contendo pistácio, um alimento ao qual ela era alérgica. Ao chegar ao hospital, a jovem comunicou imediatamente sua condição. No entanto, os enfermeiros responsáveis pela primeira assistência falharam em transmitir corretamente aos médicos a informação sobre a alergia.
Consequentemente, a médica diagnosticou-lhe amigdalite aguda e receitou um corticosteroide, liberando-a para casa. Uma hora depois, a jovem retornou ao centro em estado grave, apresentando cianose e sérias dificuldades respiratórias. Ela sofreu um choque anafilático seguido de parada cardiorrespiratória por aproximadamente dez minutos, entrando em coma e desenvolvendo graves sequelas cerebrais permanentes.
O que foi dito no tribunal
Durante o processo judicial, o relatório apresentado pela defesa, elaborado pela Inspeção de Serviços de Saúde, sustentou que os sintomas observados na primeira consulta eram totalmente consistentes com amigdalite, e que a crise respiratória surgiu de maneira posterior e imprevista.
A acusação, por sua vez, alegou uma clara negligência médica, argumentando que não foi conduzida uma entrevista apropriada sobre o histórico clínico e alergias da paciente, criticando ainda o diagnóstico de amigdalite sem febre por falta de coerência clínica.
Contudo, o parecer técnico emitido por um especialista em medicina interna confirmou que o histórico médico inicial da jovem era «insuficiente e deficiente». Este especialista apontou que um problema no sistema informático foi um fator relevante, visto que a jovem estava registrada no sistema de Saúde de Valência há apenas dois anos, e seu histórico não continha registros de incidentes alérgicos ou seu diagnóstico prévio de asma. Isso sugere uma falha na migração de seus dados do antigo centro de saúde para o atual, o que diminui parte da culpa da conduta médica.
Não obstante, o laudo também criticou o fato de Marta possuir medicação de emergência para reações alérgicas graves, mas ter negligenciado a administração desses medicamentos.
A indenização
Diante disso, e reconhecendo os contratempos no diagnóstico de Marta, a justiça decidiu que a família deveria receber uma indenização de 100 mil euros, um valor significativamente menor do que os mais de 4 milhões solicitados pela família.
A determinação judicial esclarece que a equipe médica perdeu a chance de realizar um diagnóstico preciso por diversos motivos, mas isso não lhes atribui responsabilidades diretas. O valor estabelecido refere-se ao sofrimento emocional decorrente dessa oportunidade perdida, e não às consequências físicas diretas.
