Sim, fumar pode causar gangrena através de diversos mecanismos. O corpo humano depende constantemente de oxigênio e nutrientes, que são distribuídos por todo o organismo pelo sangue, sendo os nutrientes absorvidos pela digestão e o oxigênio pelos pulmões.
A gangrena ocorre quando os tecidos param de receber suprimento sanguíneo e começam a apodrecer. Geralmente, afeta as partes mais distais do corpo, como dedos das mãos e dos pés, onde a chegada do sangue é mais difícil, mas pode se disseminar se não for tratada.
As consequências dessa condição são sérias; quando os tecidos sofrem necrose, tornam-se altamente vulneráveis a infecções bacterianas. Essas infecções podem entrar na corrente sanguínea, provocando choque séptico, o que frequentemente exige a amputação dos membros afetados para conter a progressão da infecção.
O ato de fumar agrava esse quadro porque a fumaça do tabaco introduz substâncias prejudiciais no sangue, como alcatrão, monóxido de carbono e nicotina, que danificam os vasos sanguíneos de múltiplas formas.
Um dos efeitos é o estreitamento dos vasos: os químicos irritam as células das paredes arteriais e diminuem a produção de óxido nítrico, molécula vital para a dilatação. Adicionalmente, a resposta inflamatória das células contra essas substâncias nocivas torna o fluxo do sangue arterial, rico em oxigênio e nutrientes, ainda mais restrito.
O tabagismo também fomenta a aterosclerose, uma doença vascular crônica caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura, cálcio e colesterol nas artérias, o que limita o fluxo sanguíneo.
Outro fator crítico é o monóxido de carbono liberado pelo tabaco, que diminui a capacidade do sangue de carregar oxigênio. As hemácias, que contêm hemoglobina para capturar oxigênio nos pulmões, ligam-se ao monóxido de carbono com maior afinidade, formando a carboxiemoglobina (COHb). Essa ligação reduz drasticamente a capacidade de transporte de oxigênio, dificultando sua absorção pelos tecidos, o que leva à morte celular por falta de oxigênio.
Além da gangrena, fumar está ligado a diversos problemas cardiovasculares. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o tabagismo é a causa principal de 10% de todas as doenças cardiovasculares globalmente, e os riscos crescem com a exposição. Estudos anteriores demonstraram que ex-fumantes com doença arterial periférica (DAP), uma condição que pode levar à gangrena, apresentavam menor risco de morte ou amputação em comparação com aqueles que continuavam fumando.

