Manchas ao redor dos olhos, conhecidas como xantelasma, estão associadas a maior risco de infarto e AVC, aponta estudo
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Manchas ao redor dos olhos, conhecidas como xantelasma, estão associadas a maior risco de infarto e AVC, aponta estudo

Manchas amareladas localizadas ao redor dos olhos podem servir como um indicativo de um risco elevado de sofrer infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Pesquisadores da Universidade Stanford descobriram uma correlação entre essa alteração, denominada xantelasma, e uma frequência maior de ocorrências cardiovasculares.

O objetivo deste estudo é auxiliar os profissionais de saúde a detectar precocemente pacientes que possam possuir fatores de risco cardiovascular. Essa ligação foi notada tanto durante o primeiro ano de acompanhamento quanto nos seguimentos realizados após cinco e dez anos.

A aterosclerose tende a progredir de maneira discreta. À medida que depósitos de gordura se acumulam nas artérias, o fluxo sanguíneo pode ser restringido, elevando a probabilidade de problemas cardiovasculares. Buscando sinais que permitam identificar esse processo mais cedo, os pesquisadores voltaram sua atenção para o xantelasma.

Essa condição manifesta-se pelo aparecimento de placas amareladas na área das pálpebras. Essas placas aumentam de volume quando os macrófagos, células de defesa do corpo, acumulam colesterol e outras gorduras. Visto que o acúmulo de gordura também está ligado à aterosclerose, a equipe de Stanford investigou uma possível conexão entre ambas as condições.

Os cientistas examinaram registros médicos de 17.925 indivíduos com xantelasma e compararam esses dados com um grupo de controle de tamanho equivalente. Os participantes deste segundo grupo apresentavam presbiopia, uma condição que dificulta a visão de perto, e também haviam sido submetidos a exames oftalmológicos.

No primeiro ano de monitoramento, os eventos cardiovasculares ocorreram com maior frequência entre as pessoas diagnosticadas com xantelasma. Embora essa disparidade tenha diminuído ligeiramente com o avanço do tempo, o risco permaneceu significativamente superior para os pacientes com xantelasma nas avaliações de cinco e dez anos.

É importante ressaltar que essas manchas não são consideradas a causa direta de infartos ou AVCs. O valor principal da descoberta reside na possibilidade de o xantelasma atuar como um sinal visual relacionado a outros fatores de risco cardiovascular.

Conclusões dos Pesquisadores

Os pesquisadores afirmaram que «Xantelasma está associado a uma maior incidência de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares importantes no curto e no longo prazo, até dez anos». O estudo também revelou um dado relevante: a ocorrência desses eventos foi similar entre os pacientes com xantelasma, independentemente de apresentarem níveis anormais de gordura no sangue. Isso sugere que outros elementos podem estar implicados nessa associação.

Os pesquisadores observam que muitos pacientes com xantelasma consultam dermatologistas por razões puramente estéticas, mesmo que possam ter fatores de risco cardiovascular não diagnosticados ou mal controlados. A detecção do xantelasma pode, segundo os autores, oferecer uma chance de investigar a saúde cardiovascular desses pacientes e implementar ações preventivas quando necessário.

«Os resultados do nosso estudo destacam a importância de avaliar os pacientes com xantelasma nos estágios iniciais para identificar e controlar suas condições sistêmicas subjacentes, ajudando a prevenir potenciais eventos cardiovasculares», concluíram os autores. Eles recomendam medidas como modificações no estilo de vida, tratamento para alterações nos níveis de lipídios e manutenção da pressão arterial sob controle. Novas pesquisas ainda são necessárias para elucidar o motivo pelo qual o xantelasma se relaciona com um risco aumentado de infarto, AVC e outros eventos cardiovasculares.

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