UE prepara regras para limitar o Airbnb em áreas com escassez de habitação
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UE prepara regras para limitar o Airbnb em áreas com escassez de habitação

A nova Lei de Habitação Acessível, aguardada há meses e incluída em resposta do órgão executivo da UE à atual crise habitacional na União, visa estabelecer critérios gerais para definir zonas sob 'pressão habitacional' e as condições sob as quais medidas que afetam a estadia de curta duração podem ser aplicadas, de acordo com um projeto disponível à agência Lusa.

O documento não prevê uma proibição total de alojamento local, mas estabelece critérios que determinam quando as autoridades nacionais, regionais ou locais podem aplicar medidas restritivas, algo ativamente defendido pelo comissário europeu de supervisão, Dan Jørgensen.

Assim, o objetivo é criar uma base comum para avaliar a existência de pressão habitacional e determinar se quaisquer restrições à estadia de curta duração são justificadas, necessárias e proporcionais, mantendo a decisão de intervir e como fazê-lo nos Estados-Membros e nas autoridades locais.

De acordo com o projeto, uma zona pode ser considerada sob pressão ao levar em conta, entre outros fatores, a relação entre preços de habitação e rendimentos, a dinâmica dessa relação nos últimos anos, bem como indicadores relacionados com população, oferta e procura de habitação.

No caso da estadia de curta duração, as autoridades também devem demonstrar que essa atividade contribui para a pressão sobre a oferta ou os preços da habitação antes de tomar qualquer medida.

O texto prevê a exclusão da residência principal como garantia, distinguindo-a dos casos de utilização de casas para alojamento turístico.

Para Bruxelas, as restrições não permitem resolver as causas estruturais da falta de habitação, portanto, a proposta considera apenas limites quantitativos ou regras transitórias que devem ser acompanhadas por medidas para aumentar a oferta, nomeadamente através da construção e reabilitação de habitações, bem como da simplificação dos processos de licenciamento.

A habitação é competência dos níveis nacional, regional e local, e esta proposta apenas estabelece uma base geral para avaliar a conformidade das medidas específicas com o direito da UE.

Outro objetivo é reduzir a incerteza jurídica, visto que os Estados-Membros utilizam critérios diferentes para determinar se uma zona está sob pressão e quando as restrições ao mercado podem ser justificadas.

O comissário europeu responsável pela habitação, Dan Jørgensen, alertou para o impacto do aumento da estadia de curta duração nos mercados de habitação em algumas cidades, defendendo uma resposta europeia nos casos em que essa atividade agrava os preços ou reduz a oferta para os residentes.

A proposta surgiu depois de a Comissão Europeia classificar a estadia de curta duração como uma das áreas de intervenção no âmbito do Plano Europeu de Habitação Acessível, procurando conciliar a necessidade de proteger a habitação com a importância económica do turismo.

A proposta será apresentada na quinta-feira e deverá ser discutida pelos Estados-Membros e pelo Parlamento Europeu.

Lisboa está entre as cidades da UE onde o peso dos gastos com habitação é mais elevado, num contexto de forte pressão sobre o mercado imobiliário. Portugal enfrenta preços elevados de compra e arrendamento em comparação com os rendimentos familiares, e a escassez de oferta agrava as dificuldades de acesso à habitação.

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