O Projeto Gradient transformou uma casa do período pós-guerra no bairro de St. Johns, Portland, em um sofisticado e moderno complexo para moradia e trabalho. A casa e o estúdio são unidos por um telhado comum e uma paleta unificada de materiais, emoldurando um pátio comum com vista para a famosa Ponte St. Johns, o Rio Willamette e os West Hills.
Este complexo serve de lar para uma jovem família que mantém um próspero negócio de design, proporcionando uma combinação harmoniosa entre vida pessoal e profissional, bem como uma forte conexão com a localidade e a paisagem.
Embora a nova casa e o estúdio excedam em mais de duas vezes o tamanho da habitação original, a escala do entorno é mantida. A fachada voltada para a rua apresenta-se austera, mas acolhedora, graças ao sistema de revestimento detalhadamente elaborado em cedro pintado, que define o módulo geral do edifício. A garagem está embutida na extremidade do volume do estúdio e integrada ao revestimento para permanecer discreta à primeira vista.
O estúdio está posicionado perpendicularmente à rua e desce gradualmente para aumentar a altura interna. Um amplo corredor coberto proporciona acesso conveniente tanto à área residencial quanto ao estúdio, introduzindo uma estratégia de corte, pois o telhado sobe e o pátio traseiro começa a descer. Ambos os volumes compartilham a lógica de paredes grossas para acomodar áreas técnicas e movimentação vertical. A entrada na área residencial ocorre através de uma dessas paredes grossas, que se conecta à cozinha adjacente. No lado do estúdio, as paredes maciças marcam a mudança de seção à medida que o piso desce gradualmente, seguindo o relevo natural do terreno.
As paredes internas em ambos os lados são revestidas com painéis texturizados de bordo (maple), que mudam sutilmente sua configuração para atender a diferentes necessidades. As variações nos detalhes de um lado para o outro criam ressonância, mas estabelecem uma distinção importante, mantendo uma clara separação entre as áreas residenciais e de trabalho. O telhado que conecta ambas as partes tem uma forma simples de duas águas, adornado com cinco luminárias diferentes que permitem a passagem de luz natural suave para a escada principal e o quarto na casa, bem como para as áreas de trabalho do estúdio.
O uso de luz zenital e o acento vertical constante no revestimento criam uma sensação de movimento ascendente, que contrasta com o caráter horizontal e térreo da fachada frontal. Dentro, essa estratégia material e direcional é complementada pelo uso pontual de aço nos corrimãos e escadas. Vigas de aço simples, embutidas no módulo geral, acentuam o ritmo inicialmente definido pelo revestimento de madeira externo, formando uma experiência oculta e em camadas no interior.
O paisagismo combina vegetação sinuosa com uma série de estruturas de concreto moldadas no local, que lembram a fundação original, seguindo gradualmente o declive do terreno em direção ao vale do rio. Essa variação de níveis permite que a vedação no fundo permaneça fora de vista para quem olha para o rio e a floresta distante. Composta tanto para áreas de lazer quanto para espaços de trabalho, a composição paisagística une o Projeto Gradient da mesma forma que o telhado, conectando e equilibrando ambos os blocos funcionais.
