Motoristas protestam contra o aumento dos preços dos combustíveis em Sines
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Motoristas protestam contra o aumento dos preços dos combustíveis em Sines

Esta manhã, os automóveis moviam-se lentamente pelas estradas que levam à refinaria Galp em Sines, no distrito de Setúbal. Esta marcha lenta é um ato de protesto contra o aumento do custo dos combustíveis.

Os manifestantes iniciaram o seu percurso de várias áreas da região, incluindo Grandola, Santiago do Cacém e Vila Nova de Santo André, dirigindo-se à refinaria de Sines, e continuam a circular lentamente pelas ruas adjacentes a este complexo industrial.

Ao passarem pela fábrica, os motoristas apitam e gritam slogans, protestando contra os custos dos combustíveis, sob a atenta vigilância dos militares da GNR.

Um grupo que partiu de Grandola, também no distrito de Setúbal, reuniu-se de manhã cedo numa bomba de combustível na IC1, perto desta aldeia alentejana, e começou a mover-se em direção à fábrica a um ritmo lento às 08:10. Estes manifestantes foram constantemente acompanhados pela GNR, e bandeiras de Portugal tremulavam nos capôs e janelas dos carros. Outros seguravam cartazes com inscrições como «Basta de aumentar os preços dos combustíveis» ou «As famílias não aguentam mais».

Rúben Marques, empresário e um dos organizadores do protesto, declarou à agência Lusa: «Iremos até ao limite para atingir o nosso objetivo, que é mudar os preços dos combustíveis e encontrar uma solução viável para todos». Ele observou que, devido ao aumento constante dos preços dos combustíveis em Portugal, tornou-se impossível viver, pois os custos têm consequências diretas e indiretas em toda a parte.

Marques sublinhou que tudo, desde alimentos e gás a medicamentos e transportes, está sujeito à influência dos preços dos combustíveis. Em declarações à agência Lusa, Rúben Marques informou que os manifestantes exigem ao Governo uma redução dos preços dos combustíveis para um nível justo, próximo de 1,60 ou 1,65 euros.

Ao grupo de Grandola juntaram-se dirigentes e membros da APROSERPA — Associação de Agricultores da Margem Esquerda do Guadiana, sediada no município de Serpa, distrito de Beja. Eles também expressaram descontentamento com o «aumento abrupto» dos preços dos combustíveis. O presidente da APROSERPA, João Reves, destacou numa entrevista à Lusa que os agricultores estão a sofrer muito com os custos atuais dos combustíveis, lembrando que tanto os consumidores como as máquinas agrícolas utilizam gasóleo.

Ele deu um exemplo: «Vamos começar a preparar as culturas de outono e inverno, e, por exemplo, dois tratores de classe média consomem 20 litros por hora, o que totaliza 40 litros por hora. Numa jornada de trabalho de oito horas, os tratores consumiriam cerca de 320 litros de gasóleo diesel». João Reves especificou que este volume de combustível equivale ao necessário para um carro familiar de classe média percorrer 6000 quilómetros, e isto apenas num dia de trabalho. Ele acrescentou: «Assim, pode ver qual é o peso económico que isto tem para as finanças das empresas agrícolas».

Além disso, este agricultor defendeu uma «redução significativa» dos preços e a anulação da cobrança do imposto sobre o carbono na agricultura, visto que a agricultura «armazena mais carbono do que produz». O protesto foi organizado através de grupos na aplicação de mensagens instantâneas Whatsapp.

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