Frio e abundância de energia tornam a Patagônia atraente para data centers
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Frio e abundância de energia tornam a Patagônia atraente para data centers

A Patagônia argentina está começando a ocupar um lugar na corrida por mega centros de processamento de dados. O clima frio, a disponibilidade de recursos energéticos e as grandes áreas livres atraem investidores que procuram alternativas para satisfazer a crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial.

De acordo com a Reuters, esse processo ocorre em meio à resistência a projetos semelhantes nos Estados Unidos. Na Argentina, onde os data centers ainda são pequenos e concentrados em Buenos Aires, as iniciativas estão avançando sem uma reação pública semelhante.

Projetos na província de Neuquén

Na província de Neuquén, a empresa Pampa Energía estuda a possibilidade de instalar um centro de processamento de dados perto da usina termelétrica Loma de la Lata. Essa estrutura poderia consumir até 500 megawatts de energia de Vaca Muerta, uma das maiores formações de gás de xisto do mundo.

O clima também desempenha um papel crucial na escolha do local. Temperaturas mais baixas podem reduzir os custos necessários para resfriar os servidores. A província de Neuquén também tem acesso à energia hidrelétrica e ao gás de Vaca Muerta.

Rubén Turienzo, diretor comercial de energia da Pampa Energía, declarou: "Começamos a notar um interesse mais sólido". A empresa já está fornecendo preços de energia a partes interessadas potenciais e espera fechar acordos iniciais até o final de 2026. No entanto, os investidores preferem começar com estruturas de 20 MW a 40 MW antes de passar para 500 MW.

A infraestrutura de fornecimento de energia para cobrir essa capacidade custará quase 900 milhões de dólares americanos (cerca de 4,62 bilhões de reais brasileiros).

Projetos em andamento

O interesse aumentou durante o mandato de Javier Milei, que assumiu a presidência em dezembro de 2023. O regime RIGI oferece incentivos fiscais e estabilidade regulatória para grandes investimentos.

Steve Sasse, vice-presidente de América Latina da consultoria datacenterHawk, observou: "Há dois anos, ninguém falava sobre a Argentina".

Em outubro do ano passado, a OpenAI anunciou uma parceria com a empresa argentina Sur Energy para criar um data center alimentado por energia limpa. Este projeto pode chegar a US$ 25 bilhões e ter capacidade de até 500 MW.

Milei também buscou aproximar o país de grandes corporações de tecnologia. Em maio de 2024, ele se reuniu no Vale do Silício com líderes como Tim Cook, então CEO da Apple, Sam Altman da OpenAI, Sundar Pichai do Google e Mark Zuckerberg da Meta.

Neuquén não é o único ponto de interesse. Em Chubut, a empresa polonesa Green Capital planeja um data center que começará com 300 MW e pode chegar a 3000 MW. A empresa também pretende gerar energia eólica e solar para evitar o uso da rede elétrica nacional.

Na província de Buenos Aires, a Pampa Energía concordou em fornecer 30 MW para a primeira fase do data center na zona livre de Bahía Blanca, cidade conhecida pela produção de energia eólica.

Para Martín Varsavsky, empresário argentino e fundador de cinco unicórnios, o país começou a ser visto de forma diferente pelos investidores. Ele afirmou: "Foi como hastear a bandeira argentina, dizendo: 'Aqui há um país com energia abundante e ótimas condições para investimento'".

No entanto, o entusiasmo não elimina os obstáculos. A infraestrutura elétrica e a conexão continuam sendo problemas críticos. A Argentina planeja criar uma segunda estação de recepção de cabos de fibra óptica para tornar a Patagônia mais atraente para data centers.

Os investidores também estão monitorando as eleições presidenciais de 2027. Alguns preferem esperar por maior clareza política antes de assumir compromissos bilionários.

Hadassa Lutz, cofundadora da consultoria Cloud2Ground, disse: "Isso não é um produto procurando um comprador — alguém precisa construí-lo".

Assim, a expansão ainda depende da transformação de planos e anúncios em projetos reais. É este passo que determinará se a Patagônia realmente poderá se estabelecer como um destino para grandes data centers de inteligência artificial.

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