A Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) divulgou dados que apontam para um total superior a 33.000 retornos aos países de origem durante os primeiros seis meses deste ano. Este número representa um crescimento em comparação com os aproximadamente 30.000 registados no mesmo período de 2025.
Desses retornos, cerca de 21.000 indivíduos, o que corresponde a dois terços do total, optaram por regressar voluntariamente, superando em 2.000 o volume registado no período correspondente de 2025.
É importante notar que todos os retornos facilitados pela Frontex decorrem de uma decisão de regresso que já não pode ser contestada, visto que todas as vias legais para permanência na União Europeia foram exauridas.
Os processos distinguem-se em dois tipos: nos casos de regresso voluntário, os indivíduos cumprem a determinação e abandonam o território europeu com o suporte da agência; nos retornos forçados, a saída é efetuada pelas autoridades devido ao descumprimento da obrigação de deixar o território.
Embora a classificação de um regresso como voluntário ou forçado seja determinada pelas autoridades nacionais, a Frontex presta apoio a ambas as modalidades de retorno. A agência comunitária informou ainda que o número total de pessoas cujos retornos foram apoiados pela Frontex desde 2022 ascende a cerca de 215.000.
No primeiro semestre do ano, os Estados-membros que reportaram o maior volume de retornos apoiados pela Frontex entre janeiro e junho foram Alemanha, França, Chipre, Bélgica e Suécia.
Entre as nacionalidades mais representadas entre aqueles que retornaram aos seus países de origem encontram-se cidadãos da Turquia, Síria, Geórgia, Colômbia, Índia, Brasil, Albânia, Marrocos, Nigéria e Iraque.
Adicionalmente, neste período, a agência europeia observou um aumento na procura pelos programas de reintegração, com cerca de 14 mil pessoas a inscreverem-se entre janeiro e junho para obter assistência, um aumento face aos cerca de oito mil inscritos no mesmo período de 2025.
O enquadramento legal da UE referente aos retornos encontra-se em fase de modificação, após o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu terem alcançado um consenso em junho passado sobre um regulamento que visa instituir um sistema europeu comum de regresso.
As novas diretrizes estabelecem, entre outros pontos, que o regresso forçado será aplicado quando um indivíduo não colaborar, se mudar para outro Estado-membro para eludir o procedimento ou representar um risco à segurança.
Por fim, a Comissão Europeia tem o compromisso de apresentar no final deste mês uma proposta destinada a fortalecer o mandato da Frontex no âmbito dos retornos e do apoio prestado aos Estados-membros.
