O presidente da Câmara de Comércio Iraniano-Russa declarou que o objetivo das sanções dos EUA é aumentar o custo das operações econômicas do Irã. Ele enfatizou que no atual mundo multipolar, é extremamente difícil impor um bloqueio econômico total contra o Irã, e os interesses econômicos conjuntos são uma estratégia importante para contrariar essas medidas repressivas.
Em uma entrevista exclusiva à agência IRNA, Hadi Tizkhush Taban comentou a declaração do ministro das Finanças dos EUA sobre o endurecimento das sanções e o bloqueio marítimo contra o Irã. Ele observou que o bloqueio econômico não deve se limitar apenas às restrições às rotas comerciais; simultaneamente, há pressão sobre a receita cambial da venda de petróleo, transporte, seguro, serviços bancários e sistemas de pagamento para aumentar os custos comerciais para o país.
Segundo ele, um dos objetivos da pressão econômica dos EUA é reduzir os recursos disponíveis ao governo iraniano, especialmente as receitas do petróleo, aumentar os custos de contornar as sanções e limitar o potencial financeiro do país. As sanções também aumentaram os custos de transação do Irã, visando redes de navegação, empresas intermediárias, bancos subterrâneos e até algumas bolsas de criptomoedas.
Tizkhush Taban esclareceu que o principal problema não são apenas as sanções. Ele listou as consequências dessa situação: descontos mais altos na venda de petróleo, aumento dos custos de transporte e seguro, diminuição dos investimentos, fluxo ineficiente de recursos e aumento das oportunidades de corrupção.
Oportunidades do Irã em um cenário de multipolaridade global
O presidente da Câmara de Comércio Iraniano-Russa, citando a multipolaridade da economia mundial, observou que, embora os EUA possam elevar o custo do comércio do Irã, um embargo econômico completo é difícil, pois a economia mundial moderna é multipolar, e países como China, Índia, Rússia e os estados do Golfo Pérsico possuem seus próprios interesses econômicos.
Ele continuou que o Irã possui diversas oportunidades e deve usá-las para reduzir a vulnerabilidade da economia. A diversidade geográfica, a presença de muitos vizinhos na Ásia Central, Cáucaso, bem como na Ásia Meridional e Oriental, juntamente com a diversidade de bens e serviços, representam oportunidades para o desenvolvimento do comércio exterior.
Tizkhush Taban destacou especialmente que o petróleo bruto não deve ser a única fonte de moeda estrangeira do país, e a participação de produtos petroquímicos, derivados de petróleo, bens industriais, serviços técnicos, agricultura e tecnologia no comércio exterior deve aumentar.
O desenvolvimento de rotas comerciais alternativas é crucial
Ao falar sobre a necessidade de diversificar as rotas comerciais, ele afirmou que o Irã não deve depender excessivamente de uma ou duas rotas; para o comércio, é necessário criar muitas rotas terrestres, marítimas e combinadas, sendo que o desenvolvimento de corredores regionais desempenha um papel enorme.
O presidente da Câmara de Comércio Iraniano-Russa acrescentou que as sanções não são apenas uma questão bancária, mas também um problema logístico. Se o Irã conseguir reduzir o tempo e o custo de trânsito de mercadorias, ele neutralizará efetivamente parte das consequências das sanções.
Citando o potencial das rotas setentrionais do país, ele informou que elas podem ajudar a diminuir a dependência dos portos do sul, mas nenhuma delas pode substituir completamente as rotas do sul, sendo necessária a criação de um complexo de rotas seguras e competitivas.
Tizkhush Taban enfatizou que a criação de corredores não é apenas um projeto de construção, mas parte da infraestrutura de segurança econômica do país. Ele acrescentou que essas rotas só serão eficazes se puderem competir com as rotas alternativas em termos de custo e tempo.
Otimização das operações financeiras
Apontando que um dos principais defeitos do comércio exterior do Irã é a forma de obtenção e transferência de fundos, ele observou que mesmo que o Irã consiga vender produtos, a exportação será realizada através de muitos intermediários com altos custos, caso o exportador não consiga obter e usar a receita de exportação a um preço razoável, e tal modelo é insustentável.
O presidente da Câmara de Comércio Iraniano-Russa propôs soluções para esse problema: criação de contas mútuas, uso de bancos conjuntos e regionais, e desenvolvimento de sistemas de pagamento regionais e digitais. Ele alertou que a eliminação do dólar por si só não resolverá o problema, pois o dólar não é apenas uma moeda, mas também uma rede financeira e bancária; se a transação for feita em outra moeda, mas o banco ou a seguradora ainda estiverem ligados à rede que teme as sanções dos EUA, o risco de sanções persiste.
Tizkhush Taban também mencionou a possibilidade de realizar comércio em moedas locais. Ele disse que parte do comércio do Irã com a Rússia pode ocorrer em moedas nacionais de ambos os países, mas existe um problema importante: o custo de conversão de moeda para os agentes econômicos. Na situação atual, o agente econômico pode sofrer perdas significativas na conversão, que às vezes atingem 20-25%, criando custos sérios para o exportador.
Ele pediu ao governo que não crie mecanismos que aumentem os custos do exportador ao fornecer moeda ao importador; em vez disso, a moeda do exportador deve ser convertida a uma taxa justa com um pequeno prêmio em relação à taxa de mercado real.
Em conclusão, o presidente da Câmara de Comércio Iraniano-Russa declarou que, ao reduzir os custos de conversão de moeda, desenvolver o comércio em moedas nacionais e criar mecanismos de pagamento regionais, é possível aliviar alguns problemas do comércio exterior do Irã e lançar as bases para o desenvolvimento de relações econômicas com países vizinhos e parceiros comerciais.

