Um medicamento desenvolvido com inteligência artificial (IA) para tratar uma doença pulmonar grave demonstrou um resultado inesperado: os pacientes apresentaram uma diminuição nos indicadores usados para avaliar a idade biológica.
O medicamento rentosertib, criado pela empresa de biotecnologia Insilico Medicine, foi testado em 43 pessoas com fibrose pulmonar idiopática. Após 12 semanas de observação, seis diferentes 'relógios do envelhecimento' registraram uma redução da idade biológica presumida dos participantes.
O objetivo principal do rentosertib é tratar a fibrose pulmonar idiopática (FPI), uma doença crônica que leva ao espessamento e à formação de cicatrizes nos tecidos pulmonares. À medida que essa condição progride, a capacidade do sangue de absorver oxigênio diminui, e a doença pode se tornar fatal em poucos anos.
Anteriormente, em um estudo clínico, a Insilico já havia notado que o medicamento melhora significativamente a função pulmonar dos pacientes. Os pesquisadores também coletaram dados que permitiram analisar possíveis mudanças relacionadas à idade biológica.
Para isso, eles aplicaram seis 'relógios do envelhecimento' — sistemas que utilizam diferentes conjuntos de biomarcadores para avaliar a idade de células, tecidos e órgãos. Após doze semanas de terapia, todos os seis sistemas mostraram uma diminuição da idade biológica prevista.
Este é o primeiro estudo que demonstra claramente a possibilidade de reduzir a idade biológica prevista.
Vadim Gladshev, professor da Escola Médica de Harvard, que participou do desenvolvimento de um desses relógios, comentou a situação.
A Insilico Medicine foi fundada em 2014 por Alex Zhavoronkov e trabalha há mais de dez anos com métodos de IA voltados para a descoberta de medicamentos. Um dos sistemas da empresa analisa registros médicos, exames de sangue e pesquisas científicas para identificar proteínas associadas a doenças. Outro sistema estuda a estrutura dessas proteínas e como elas interagem com outras moléculas.
Graças a esses dados, a tecnologia ajuda a projetar moléculas capazes de se ligar a alvos biológicos específicos. Foi nesse processo que surgiu o rentosertib. Zhavoronkov explicou: 'É como inspecionar uma fechadura e criar uma chave que se encaixa nela.'
Esses resultados despertam interesse em pesquisas sobre longevidade, mas não provam que o rentosertib é capaz de retardar o processo de envelhecimento. O estudo tem limitações significativas: a Insilico ainda não testou os potenciais efeitos relacionados ao envelhecimento em pessoas saudáveis, portanto, não está claro se a redução observada será reproduzida em outros grupos.
O cardiologista Eric Topol, autor do livro 'Superaging', observou: 'Este medicamento parece promissor. Mas ainda não temos um teste final para dar um veredito definitivo.'
Apesar das ressalvas, os pesquisadores da longevidade veem neste estudo um caminho potencial para futuros testes. Evelyn Bishop, professora de medicina da Universidade de Tel Aviv, resumiu: 'São métodos que usaremos em futuros testes.'
O trabalho mostra como a IA pode ser aplicada não apenas para acelerar a descoberta de medicamentos, mas também para estudar as mudanças biológicas associadas ao envelhecimento.
