Regras de aluguel estilo Airbnb em Cidade do Cabo sob escrutínio no contexto de propostas de moradia de longo prazo
Leia mais
IOL
iol.co.za

Regras de aluguel estilo Airbnb em Cidade do Cabo sob escrutínio no contexto de propostas de moradia de longo prazo

Os moradores da Cidade do Cabo têm até 5 de outubro para expressar sua opinião sobre as regras de aluguel propostas. A Cidade do Cabo apresentou novas regras para aluguel de curto prazo, que receberam apoio cauteloso de uma grande organização pública de contribuintes.

A Cape Town Collective Ratepayers’ Association (CTCRA) saudou o projeto do Regulamento de Aluguel de Curto Prazo da Cidade para 2026, mas pediu a adoção de medidas mais rigorosas para resolver o problema do crescente uso de imóveis residenciais para acomodação de curta duração.

Em essência, o município busca monitorar melhor casas e apartamentos alugados a turistas e visitantes por curtos períodos através de plataformas como Airbnb. De acordo com o projeto do regulamento, os imóveis de aluguel de curto prazo devem ser registrados na Cidade e possuir um número de registro emitido pela Cidade ao publicar anúncios.

A cidade também exige acesso a informações sobre a frequência de disponibilidade e uso desses imóveis para estadia de curta duração. Isso permitirá aos funcionários determinar se o imóvel permanece predominantemente como residência ou se funciona efetivamente como habitação comercial.

Se o imóvel for usado para aluguel de curto prazo por mais da metade de um ano, a Cidade pode classificá-lo como habitação comercial e, consequentemente, cobrar taxas municipais. Imóveis alugados por menos de meio ano podem manter o status residencial, desde que cumpram os requisitos da Cidade. Contratos de aluguel de longo prazo comuns, onde o inquilino usa o local como residência principal, são regulamentados de forma diferente.

Espera-se que as mudanças nas tarifas para os imóveis afetados entrem em vigor em 1º de julho de 2027. A CTCRA apoiou o princípio da regulamentação adequada do aluguel de curto prazo e que os imóveis que funcionam como negócios hoteleiros devem contribuir de forma justa para as receitas municipais.

No entanto, a associação questionou se este projeto conseguirá atingir um de seus objetivos mais importantes — estimular o retorno dos imóveis ao mercado de aluguel de longo prazo. A organização observou: «Embora isso possa gerar receita adicional, a CTCRA está preocupada que o impacto financeiro possa ser insuficiente para alterar os incentivos comerciais que favorecem o aluguel de curto prazo em comparação com o aluguel residencial de longo prazo».

A CTCRA alertou que os proprietários podem simplesmente absorver os custos municipais adicionais ou repassá-los aos visitantes através de um ligeiro aumento na tarifa diária. A associação enfatizou: «Em muitos casos, o aluguel de curto prazo pode permanecer mais lucrativo do que o aluguel de longo prazo, especialmente em áreas com alta demanda turística».

A associação informou que muitos moradores expressaram preocupações sobre o aumento do número de casas adquiridas ou operadas predominantemente para acomodação de curta duração. Reconhecendo o direito dos proprietários de obter renda de seus bens, a CTCRA insistiu na necessidade de equilibrar esses direitos com os interesses do público em geral, em particular a necessidade de moradia estável e acessível.

A cidade definiu três objetivos principais para o projeto do regulamento: aumentar as receitas municipais, criar um sistema mais justo entre operadores de aluguel de curto prazo e hotéis e pensões oficiais, e incentivar mais imóveis para o mercado de aluguel de longo prazo. A CTCRA acredita que o projeto provavelmente ajudará a alcançar os dois primeiros objetivos, mas permanece incerto se melhorará significativamente a oferta de moradia.

A organização sugeriu que a Cidade do Cabo considerasse medidas adicionais adotadas em outras cidades com alta carga turística em todo o mundo. Essas medidas incluem restrições ao número de dias em que um imóvel pode ser alugado a turistas anualmente, diferentes regras para proprietários particulares em comparação com investimentos, zoneamento e controle mais rigoroso em áreas com muitos imóveis de aluguel de curto prazo. A CTCRA aconselhou a consideração de tais medidas no contexto legal e econômico da Cidade do Cabo.

A associação também ligou este debate aos problemas de pressão financeira que já recaem sobre os proprietários de imóveis residenciais. Foi observado que, durante os processos orçamentários da Cidade em 2025 e 2026, a CTCRA levantou questões sobre o aumento da participação das receitas municipais provenientes dos proprietários de imóveis. Embora a taxa do rand na Cidade do Cabo possa ser competitiva em comparação com outros municípios, a CTCRA afirmou que o aumento do custo dos imóveis ainda pode levar a um aumento significativo nas contas municipais. Esses custos também podem afetar os inquilinos, se os locadores repassarem custos mais altos dos imóveis através do aumento do aluguel.

O presidente da CTCRA, Bas Zuidenberg, declarou que o regulamento proposto é um ponto de partida construtivo. Ele acrescentou: «Detalhes importantes ainda precisam de mais consideração, especialmente em relação ao possível impacto na acessibilidade e custo da moradia. Esperamos que a Cidade leve a sério os comentários apresentados pelos moradores e organizações civis».

O processo de participação pública da Cidade sobre este regulamento continua até 5 de outubro de 2026.

Popular