A ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao, assegurou que o controle e a propriedade dos recursos subterrâneos continuam inquestionavelmente sob jurisdição da Venezuela, durante uma entrevista concedida ao canal privado Venevisión no domingo.
Em 28 de agosto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o acordo, qualificado por ele como o maior da história mundial, assegura aos EUA uma participação majoritária em mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela. Dois dias depois, Trump caracterizou essa transação como um presente da Venezuela para o povo norte-americano.
Paula Henao esclareceu que se trata de um pacto comercial destinado a atrair tecnologia e investimentos para a Venezuela, afirmando que o que o povo venezuelano oferece ao povo norte-americano é a segurança de um suprimento energético confiável. A ministra refutou qualquer alegação de perda de soberania pelo país e informou que o acordo bilateral será submetido ao parlamento, sem especificar uma data para isso.
De acordo com o governo venezuelano, este acordo possui uma vigência de 25 anos e abrange o desenvolvimento de 17 campos, totalizando 65 bilhões de barris de reservas. O objetivo estabelecido é elevar a produção para mais de 1,5 milhão de barris por dia (bpd). Atualmente, a produção média nacional é de 1,24 milhão de bpd, com projeções indicando que esse volume pode alcançar 1,4 milhão de bpd até o fim de 2026. É relevante notar que, em 1998, um ano antes da chegada de Hugo Chávez ao poder, a produção de petróleo havia atingido 3,1 milhões de bpd.
Os 17 campos incluídos neste acordo foram cedidos à North American Blue Energy Partners (NABEP), empresa que cedeu ao Departamento da Defesa dos EUA uma participação acionária de 35%. Por trás da NABEP, encontra-se o empresário Alejandro Betancourt, que está sendo investigado na Espanha e na Suíça por supostas fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.
Durante a mesma entrevista, Paula Henao também garantiu que a Venezuela honra os compromissos petrolíferos firmados com a China e a Rússia. Ela explicou que existem acordos com ambos os países, envolvendo empresas mistas com permissão para operar atividades primárias vigentes, e que esses acordos são muito respeitados.
Essa garantia veio após a China exigir a salvaguarda de seus interesses na Venezuela, motivada por reportagens que sugeriam que o novo acordo entre Caracas e Washington poderia impactar campos onde empresas chinesas, como as estatais Sinopec e CNPC, estavam atuando. A China mantém presença significativa no setor petrolífero venezuelano há anos, através de empresas estatais envolvidas em projetos de exploração e produção, refletindo a forte ligação econômica entre Pequim e Caracas durante os mandatos chavistas.
