Centro de Arte Contemporânea Inaugurado em Tashkent em Antiga Estação de Diesel
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Centro de Arte Contemporânea Inaugurado em Tashkent em Antiga Estação de Diesel

A inauguração solene do Centro de Arte Contemporânea de Tashkent (CCA Tashkent) ocorreu em um edifício que antes funcionava como uma estação de diesel da era imperial. O prédio, que por quase cem anos esteve associado ao cheiro de combustível e fuligem, agora se apresenta como um centro cultural. O primeiro programa público no novo espaço foi um painel de discussão com a participação das pessoas envolvidas na criação deste local.

A ideia de transformar a antiga estação de diesel em um centro cultural pertence a Gayane Umerova, presidente do Fundo para o Desenvolvimento da Arte e Cultura do Uzbequistão. Ela observou que o conceito surgiu há muito tempo, como um desejo pessoal de criar um lugar onde artistas e comunidades criativas pudessem se reunir, unindo o patrimônio industrial à arquitetura moderna.

Escolha do Escritório de Arquitetura e Conceito de Preservação do Patrimônio

A escolha do escritório de arquitetura foi motivada pela admiração de Umerova pelos trabalhos do estúdio parisiense Studio KO, especialmente pelo museu Yves Saint Laurent em Marraquexe, construído em tijolo. Um dos cofundadores do estúdio, Olivier Marty, enfatizou que a colaboração começou com a observação de que 'Uzbequistão é um país de tijolos'. Gayane Umerova explicou que a localização neste terreno era estrategicamente importante, pois havia três instituições culturais e educacionais nas proximidades imediatas: o Museu de Belas Artes Estatal (que está prestes a se tornar o Museu de Arquitetura), a Academia de Belas Artes e vários edifícios modernistas pretendentes a inclusão na lista da UNESCO. Era importante para ela manter o local nesta área histórica como um 'ponto de atração' para a juventude local.

O estado inicial do edifício, segundo Olivier Marty, era extremamente precário — estava coberto por uma película de óleo e impregnado com odor de combustível. No entanto, a equipe decidiu que uma reforma radical não era possível. Em vez de adicionar anexos ou 'caixas de vidro', os arquitetos optaram por manter o volume histórico praticamente intacto, focando na entrada inferior. Marty notou que o próprio edifício ditava muitas decisões, incluindo o arranjo interno das funções.

Uma complicação especial foi a pertença do edifício à era imperial, ou seja, foi construído antes da revolução, no início do século XX. As tecnologias de restauração desse tipo de tijolo foram amplamente perdidas, exigindo a contratação de especialistas franceses e regionais para restaurar essas habilidades. O arquiteto acredita que essa experiência pode estabelecer um novo padrão de restauração de edifícios históricos na Ásia Central, abrangendo tanto estruturas imperiais quanto timúridas.

Programa Curatorial e Desenvolvimento Não Linear da Arte

A curadora do projeto foi a Dra. Sara Raza, que anteriormente trabalhou na curadoria de arte do Oriente Médio e Norte da África no âmbito do programa do museu Guggenheim UBS. A investigação de um período histórico específico — de final dos anos 1950 aos anos 1980, quando Tashkent era um centro chave de intercâmbio cultural e político durante a Guerra Fria, recebendo figuras como U. E. B. Dubois e Angela Davis — serviu como ponto de partida para o programa do centro. Este tema fundamentou a exposição de abertura intitulada 'Hikma', que na tradição islâmica significa 'sabedoria' no conhecimento.

Raza salientou que recorrer ao passado, neste caso, não é nostalgia, mas serve de base para o desenvolvimento futuro, ou seja, um 'processo de formação'. Na opinião da curadora, a história da região se desenvolve de maneira diferente do modelo linear ocidental de 'moderno — pós-moderno — pós-modernismo'; ela é caracterizada por rupturas e pausas. A tarefa do CCA não é reescrever essa história, mas preencher as lacunas usando elementos pequenos, mas importantes, como os tijolos.

Raza citou um projeto conjunto com o Fundo para o Desenvolvimento da Arte para o pavilhão nacional do Uzbequistão em Veneza. Lá, foram realizados trabalhos de um artista cujas ideias surgiram na década de 1970 ou 1980, mas permaneceram apenas como esboços por décadas, demonstrando o caminho 'não linear' e interrompido da arte regional.

Infraestrutura e Missão Social do Centro

O conceito arquitetônico do centro vai além de simples espaços de exposição. Além do salão principal, da antiga estação de diesel, e do corpo de serviço, a equipe adicionou um anfiteatro-'caixa' acima do espaço central para performances, bem como um volume expositivo vertical. No centro, os visitantes podem não apenas tomar um café ou visitar a biblioteca, mas também participar de um clube do livro, um 'supper club' íntimo, assistir a filmes ou participar de um simpósio e 'dia de estudo'. Além disso, o centro interage ativamente com o setor educacional: foram organizados concertos na Universidade Westminster de Tashkent, onde Gayane Umerova estudou anteriormente.

Inicialmente, estava planejado instalar uma residência para artistas no centro, mas os arquitetos sugeriram movê-los para fora do edifício, para as mahallas — antigos bairros urbanos. Essa decisão foi inspirada pela experiência da residência do Studio KO em Marrocos, pois, na opinião da equipe, os artistas necessitam de uma experiência de vida local e 'vernacular', e não de uma infraestrutura pronta. Atualmente, o fundo apoia duas tais residências, estabelecidas em uma antiga madrasa e em uma creche, e projetos semelhantes estão planejados em Samarcanda, Nukus e Kokand.

No painel de discussão, também foi discutida a Bienal de Bukhara, realizada um ano antes, que atraiu cerca de um milhão de visitantes locais e um milhão de estrangeiros. Gayane Umerova avaliou essa experiência como prova do crescente interesse pela arte contemporânea no Uzbequistão, apesar do ceticismo com que o fundo foi confrontado ao comprar o terreno em 2017. Ela lembrou que Tashkent sediou anteriormente a cúpula da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) dedicada à economia criativa, o que foi um sinal importante para o país. O fundo também trabalha no projeto 'parque criativo', que unirá moda, música e cinema, posicionando o CCA Tashkent como parte da estratégia governamental e do fundo de apoio às indústrias criativas.

Um momento simbólico foi a visita ao centro no dia anterior à inauguração pelo Presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev. A moderadora da discussão, Mariette Westermann, diretora e CEO do Fundo Solomon Guggenheim, classificou isso como um sinal de alta atenção governamental à cultura. Ao encerrar o evento, os participantes compartilharam suas expectativas: Olivier Marty desejou ver 'caos e loucura' nas exposições; Sara Raza falou sobre 'polinização cruzada'; e Gayane Umerova escolheu a palavra 'separação', expressando a esperança de que o projeto se tornasse uma instituição autônoma. Os participantes enfatizaram unanimemente que a inauguração oficial é apenas o começo de um longo caminho para o Centro de Arte Contemporânea de Tashkent.

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