Mais de mil baleias-de-bossa foram detectadas em águas de Moçambique durante levantamento científico
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Mais de mil baleias-de-bossa foram detectadas em águas de Moçambique durante levantamento científico

Um levantamento realizado a bordo do navio de investigação Dr. Fridtjof Nansen identificou mais de mil baleias-de-bossa nas águas de Moçambique. Os registos foram obtidos ao percorrer mais de 2.000 quilómetros da costa moçambicana, estendendo-se desde Ponta do Ouro, no sul do país, até ao norte de Sofala, no centro.

Este levantamento permitiu a recolha de dados detalhados sobre a distribuição não só das baleias, mas também de golfinhos, dugongos, aves marinhas e outras formas de vida marinha.

As baleias-de-bossa possuem um padrão migratório anual, deslocando-se das zonas de alimentação no Oceano Austral para as águas mais quentes do Oceano Índico Ocidental, onde passam o inverno austral a reproduzir-se e alimentar os seus filhotes.

A investigação, que foi expandida neste ano, tem como meta criar um panorama mais completo sobre como esta espécie utiliza os ecossistemas costeiros e oceânicos de Moçambique, o que contribui para enriquecer o conhecimento científico acerca da biodiversidade marinha nacional.

De acordo com a informação divulgada pela missão científica, esta pesquisa ampliada está a ajudar a delinear uma visão mais vasta sobre o uso dos habitats costeiros e offshore por estas baleias.

Para além das baleias-de-bossa, os cientistas também documentaram a presença de golfinhos, dugongos, aves marinhas e outros mamíferos marinhos, registando observações de campo, fotografias e coordenadas geográficas.

A nota acrescenta que a combinação destas observações, fotografias e posições GPS irá fortalecer o saber científico e poderá orientar futuros planos de conservação e gestão marinha.

Os trabalhos estão a ser conduzidos no âmbito de uma campanha científica organizada pelo Instituto de Investigação Marinha e Pesqueira (IIMP), em colaboração com o Programa EAF-Nansen da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Instituto de Investigação Marinha da Noruega.

Esta missão integra os esforços de vigilância da biodiversidade marinha dentro da Zona Económica Exclusiva de Moçambique e procura, ainda, acompanhar quaisquer mudanças na distribuição das espécies e nas condições ambientais ao longo da linha costeira do país.

No mês anterior, os investigadores envolvidos na campanha defenderam a necessidade de aumentar a capacidade nacional de estudo e preservação da vida marinha, sugerindo inclusive a inclusão de alguns espécimes recolhidos no acervo do Museu de História Natural de Maputo.

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