Para Katerina Malungane, que é simultaneamente mãe de Tisetso Malungane e sua treinadora, é crucial saber identificar os momentos em que deve apoiar e quando deve desafiar. Ela enfatiza que em casa seu papel é o de mãe, e na pista esportiva, o de treinadora.
Em casa, o foco está nos estudos, amigos, fé e descanso, enquanto o processo de treinamento se concentra em disciplina, honestidade e consistência. Katerina insiste que Tisetso saiba que seu amor não depende de seus resultados esportivos. Ela explica que o apoia convencendo-o de que seu amor não está ligado a medalhas, mas o desafia lembrando-o de que talento sem trabalho é inútil.
Aos apenas 16 anos, Tisetso já estabeleceu vários recordes nacionais entre os juniores. No entanto, a mãe diz que os momentos que mais a orgulham muitas vezes não estão diretamente ligados ao esporte. Ela fica feliz quando ele prefere livros ao telefone, agradece aos voluntários nas competições ou corre com crianças mais novas no vilarejo, mostrando a elas que isso é alcançável.
Lições da Longa Jornada
A experiência pessoal de Katerina como maratonista e ultramaratonista moldou sua abordagem ao treinamento do filho. Ela observa que correr longas distâncias a ensinou paciência e ajudou a entender as dificuldades físicas e mentais enfrentadas pelos atletas. Devido às suas próprias lesões, falhas e corridas malsucedidas, ela agora presta mais atenção à linguagem corporal de Tisetso do que ao tempo.
Além disso, ela reconhece a importância do pensamento correto, incluindo o diálogo interno e os exercícios complexos inerentes à corrida de longa distância. Portanto, sua principal tarefa não é apenas buscar o próximo recorde, mas garantir o desenvolvimento de longo prazo de Tisetso.
Mantendo o Equilíbrio na Vida
Apesar do crescente sucesso do filho, a família tenta conscientemente manter a vida de Tisetso o mais normal possível. Os estudos têm prioridade, e os treinos ficam em segundo plano se as tarefas não forem concluídas. Sua rotina também inclui igreja, jantares familiares e encontros com amigos fora do âmbito esportivo.
A família discute abertamente a pressão e as expectativas. Katerina afirma que ele corre não por causa da seleção sul-africana, patrocinadores ou redes sociais, mas porque lhe traz prazer. Para ela, o descanso, a recuperação e simplesmente estar na adolescência fazem parte do desenvolvimento do atleta. Ela esclarece que o equilíbrio não precisa ser um perfeito 50/50 todos os dias; às vezes pode ser 70% estudos e 30% corrida, e isso é normal.
Esporte e Educação
O modelo do Fundo Ruth Sechaba também desempenhou um papel no desenvolvimento de Tisetso, unindo atividades esportivas e educação acadêmica para crianças de baixa renda. Este fundo posteriormente começou a apoiar Tisetso na educação e a ajudar a formar perspectivas de carreira para ele. O Fundo Ruth Sechaba também apoiou Bayande Walaze, medalhista de prata olímpica. Para Katerina, criar oportunidades para jovens atletas significa educar a personalidade por trás dos resultados.
Apelo às Mães Sul-Africanas
Durante o Mês da Mulher, Katerina enfatiza o papel crucial das mães em reconhecer o potencial antes que isso seja conhecido por um grande número de pessoas. Ela diz que o mundo aplaudirá somente após a obtenção de medalhas, mas foram os pais que estiveram presentes nos madrugadas às cinco da manhã, nos calos, nas dúvidas e na realização dos deveres de casa. Ela apela aos pais para acreditarem abertamente em seus filhos, protegerem sua paz de espírito e estarem dispostos a ser seu primeiro treinador, motorista e apoiador. Na opinião dela, para cultivar a grandeza não é necessária qualificação especial — é necessário amor, consistência e coragem. Ela conclui que os próximos campeões sul-africanos estão bem à mesa de jantar deles, e apela para que os alimentem com corpo, mente e sonhos.