Potencial da coleta urbana na África do Sul: recomendações para uso sustentável de recursos naturais
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Potencial da coleta urbana na África do Sul: recomendações para uso sustentável de recursos naturais

A coleta, ou seja, a recolha de materiais vegetais e animais selvagens do ambiente, está se tornando cada vez mais popular nas cidades ao redor do mundo. Em algumas cidades sul-africanas, alguns moradores coletam frutas silvestres e imfino (espinafre selvagem) em áreas abertas, considerando-os mais nutritivos e frescos do que os produtos de supermercado.

Muitas pessoas associam a coleta ao seu patrimônio cultural, lembrando-se do tempo passado na savana ou em praias rochosas, quando colhiam mexilhões com os mais velhos ou amigos de infância.

Embora algumas plantas populares entre os coletores sejam cultivadas em parques públicos, muitos cidadãos temem que as autoridades possam exigir o fim da coleta em parques e jardins. No entanto, uma pesquisa mostrou que esse medo é frequentemente infundado.

Como ecologista urbano, o autor da pesquisa estudou as maneiras pelas quais os moradores urbanos interagem com a natureza através da coleta. Ele visitou cidades ao longo da costa leste da África do Sul, entrevistando 80 coletores e 15 funcionários municipais responsáveis pela gestão de parques públicos, jardins, acostamentos e reservas, além de estudar as teorias subjacentes a este fenômeno. O objetivo era descobrir se os moradores das cidades compartilham a compreensão de como a coleta pode beneficiar tanto as pessoas quanto a natureza, e onde isso pode ser feito de forma segura e sustentável.

A pesquisa mostrou que a maioria das pessoas coletava plantas em terrenos baldios e acostamentos de estradas, evitando parques e jardins públicos por medo de repreensão. No entanto, os gestores de terras apoiavam em geral a coleta em locais públicos, e alguns até plantavam espécies úteis para serem coletadas pelas pessoas.

O autor identificou quatro zonas verdes principais na cidade que podem ser gerenciadas tanto pelos proprietários de terras quanto pelo público para melhorar as condições de coleta: jardins residenciais comunitários e pátios, acostamentos e bordas públicas, parques e jardins públicos, e reservas naturais. Terrenos baldios não foram considerados, pois, embora essas áreas sejam importantes para os coletores, elas não são geridas ativamente pelo município ou seus proprietários.

Para proteger a biodiversidade urbana durante seu uso, o autor abordou um problema frequentemente descrito como a 'tragédia dos comuns': se todos colhem livremente plantas selvagens e outros recursos, as populações serão esgotadas e os habitats sofrerão. No entanto, estudos mostram que isso nem sempre é o caso. Quando as pessoas compartilham interesse em um recurso, elas podem concordar sobre formas de usá-lo sem destruição.

No contexto da coleta urbana, isso pode significar que coletores, gestores de terras e outros usuários desses espaços concordam sobre o que pode ser coletado e onde. Eles também podem concordar sobre quem, quando, quanto pode coletar e como garantir que as plantas e outras espécies não sejam usadas em excesso.

O ponto chave é garantir a praticidade e clareza dessas regras, bem como a participação das pessoas que utilizam esses espaços na gestão do processo de coleta. A maioria das pessoas concordou que zonas designadas para coleta, tanto separadas quanto nos parques e jardins existentes, seriam a melhor opção tanto para as pessoas quanto para a biodiversidade. Isso ocorre porque os coletores se sentirão seguros sabendo que não estão violando a lei, e os administradores de parques não se preocuparão que a coleta em todos os lugares torne os jardins desarrumados.

No entanto, eles acreditaram que incentivar a coleta em reservas naturais especificamente designadas acarreta o maior risco devido ao perigo de interferência humana.

Os municípios devem desenvolver espaços que permitam a coleta urbana sustentável em conjunto com as comunidades locais e chegar a acordos sobre os métodos de gestão dessas áreas. O autor observou que muitos coletores recolhem frutas comestíveis silvestres, ervas e espécies medicinais nas margens de estradas e calçadas, muitas vezes durante o trajeto para o trabalho ou como parte de atividades comunitárias. Foi observado que os municípios plantaram apenas três tipos de frutas silvestres.

O governo e os municípios poderiam plantar mais árvores de frutas silvestres, especialmente perto de escolas e locais públicos movimentados, como playgrounds e delegacias de polícia — não apenas por causa da comida, mas também para criar sombra. Os municípios precisam de diretrizes internas atualizadas sobre quais espécies plantar e como projetar espaços que promovam a coleta sustentável, incluindo o estabelecimento de normas sobre quantas pessoas devem ser retiradas e deixadas durante a coleta.

O autor publicou recentemente recomendações gerais para coletores, baseadas em anos de estudo de experiências mundiais. Essas recomendações ajudam a considerar se uma espécie é sustentável e viável para a coleta, ou se é frágil e requer manuseio cuidadoso, em que estágio de seu ciclo reprodutivo ela se encontra, e se outras pessoas e coletores não humanos dependem dela — mas em caso de dúvida, deve-se perguntar a alguém que saiba.

Com base neste estudo, o autor e seus colegas publicaram um guia para proprietários de terras urbanos na África do Sul. Ele sugere o plantio de espécies como ameixa silvestre (Harpephyllum caffrum), palmeira de tâmaras selvagem (Phoenix reclinata), Num-num (Carissa sp.) e maçã kiwi (Dovyalis caffra), que são resistentes à coleta. É também importante transmitir informações sobre qual volume de planta pode ser colhido com segurança, sem matá-la. Isso pode ser feito por meio de interação pública, como placas informativas, palestras e caminhadas organizadas em conjunto pelo município e cidadãos.

Pesquisas mais recentes do autor mostraram que, a longo prazo, a coleta traz benefícios significativos para a saúde física e mental. Tais benefícios incluem a obtenção de mais nutrientes, bactérias intestinais e imunidade, bem como o aumento do sentimento de satisfação pessoal e pertencimento ao lugar. A coleta também contribui para o acúmulo de conhecimento, habilidades e laços sociais, pois os coletores aprendem uns com os outros e frequentemente se unem em torno de experiências relacionadas à natureza, alimentação, artesanato e bem-estar. Pode ajudar a preservar a biodiversidade protegendo zonas verdes existentes ou criando novas zonas verdes valorizadas pelas pessoas por sua conexão cultural e espiritual com a natureza. Para realizar esses benefícios de longo prazo, os municípios urbanos e a população devem começar a trabalhar juntos na criação de zonas de coleta já agora.

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