O Sindicato Nacional de Professores (SINPROF) em Angola anunciou a realização de quatro períodos de greve em protesto contra o alegado incumprimento das condições do acordo assinado com o poder executivo em janeiro.
O Conselho Nacional do SINPROF decidiu implementar greves na educação geral, educação técnico-profissional, formação de professores e educação de adultos, citando o «incumprimento e violação das condições do acordo assinado a 8 de janeiro», conforme comunicado hoje.
A greve está planeada em quatro fases ao longo do ano letivo. O primeiro período terá a duração de 19 dias úteis, de 21 de setembro a 15 de outubro; o segundo, de 15 dias, de 2 a 18 de dezembro; o terceiro, de 13 dias, de 10 a 26 de fevereiro de 2027; e o quarto, de 25 dias, de 17 de maio a 18 de junho de 2027.
Antes do início da greve, em 12 de setembro, serão realizadas assembleias representativas em todas as 21 províncias de Angola. A presidente do SINPROF, Ermínia Maria da Conceição Ferreira du Nascimento, declarou no comunicado que «o professor angolano está cansado das promessas não cumpridas» e acrescentou que «há três décadas exigimos as mesmas questões, e chegou a hora de obter respostas concretas».
O sindicato determinou que o Ministério da Educação violou uma parte significativa dos compromissos assumidos no Acordo de 8 de janeiro entre o poder executivo e o SINPROF, o que coloca em risco a progressão na carreira docente e mina a confiança no poder executivo.
O SINPROF exige o cumprimento do acordo no que diz respeito à inclusão de milhares de professores injustamente excluídos do concurso interno de admissão e seleção de candidatos. O sindicato também insiste numa «reavaliação do processo por comissões nacionais conjuntas do Ministério da Educação e do SINPROF» e na inclusão imediata dos professores selecionados no Sistema Integrado de Gestão Financeira Pública (SIGFE).
O Conselho Nacional do SINPROF expressa profunda preocupação e indignação com a situação em que milhares de crianças e adolescentes de Angola novamente não podem frequentar a escola devido à falta de vagas em instituições públicas. O sindicato considera que esta situação é um «sério entrave à efetivação do direito à educação, que o Estado de Angola deve garantir».
O Conselho considera também particularmente alarmante que, enquanto o país enfrenta um défice estrutural de infraestrutura escolar, grandes investimentos são feitos noutras áreas. Na opinião do sindicato, um uso mais eficaz dos fundos públicos poderia ajudar a resolver necessidades sociais urgentes.
O SINPROF observou que o custo dos investimentos apresentados publicamente na construção do Centro de Congressos, recentemente inaugurado pelo Presidente da República e chefe do poder executivo João Lourenço, permitiria a construção de cerca de 700 escolas, o que equivale a aproximadamente 8400 salas de aula, se os fundos fossem destinados à construção de escolas do tipo «12 classes por escola».
O sindicato sublinhou que as escolas primárias continuam a carecer de recursos financeiros adequados. Apela ao Ministério da Educação e ao Ministério das Finanças para um «transferência direta de recursos financeiros para as próprias escolas» e para o estabelecimento de um sistema de prestação de contas que garanta o melhor uso desses fundos.
Além disso, o SINPROF apela ao poder executivo para legalizar os pagamentos do período anterior aos trabalhadores empregados em áreas remotas e expandir essa medida para mais municípios. Apesar disso, o SINPROF declara estar disposto a continuar o diálogo com o Governo sobre as questões que levaram à declaração de greve.
