A Conferência Episcopal voltou a exigir respostas sobre o assassinato do bispo. Em uma declaração final publicada após uma assembleia plenária extraordinária, os bispos de Moçambique questionam: quem matou Don Ozorio? Quem foram os responsáveis morais e materiais deste assassinato violento? Quais foram os motivos do assassinato?
De acordo com o documento, a reunião foi convocada para discutir a morte violenta do bispo de Quelimane e administrador apostólico da Arquidiocese de Beira, que foi baleado em sua residência em Quelimane, província de Zambézia, no centro de Moçambique, em 6 de junho.
Na declaração, assinada pelo presidente da Conferência Episcopal (CEM), Inácio Saure, os bispos expressaram pesar pelo fato de que, apesar das investigações realizadas, ainda não há respostas oficiais sobre o caso. Eles enfatizaram que a morte de Ozorio Sitor foi um 'forte golpe no coração da Igreja Católica em Moçambique' e observaram que as circunstâncias do assassinato exigem mais esclarecimentos.
'Três meses se passaram desde o incidente, e continuamos aguardando respostas para estas questões', acrescentaram os bispos. Eles também pediram a continuidade dos trabalhos das autoridades judiciais, insistindo que a busca pela verdade não deve ser interrompida.
O documento afirma: 'Apelamos para que os esforços de busca da verdade, iniciados pelas autoridades judiciais desde o início, não cessem, para que se tornem um caminho de esperança, reconciliação e purificação, capaz de ajudar a curar esta terrível ferida.'
A Conferência Episcopal também relembrou o encontro realizado em 3 de julho no Vaticano entre a delegação da Igreja de Moçambique e o Papa Leão XIV. Durante este encontro, o Papa expressou 'sua proximidade e interesse em esclarecer as circunstâncias e causas da morte de Don Ozorio Sitor Afonso.'
Além da preocupação com o processo de investigação, a assembleia extraordinária serviu como motivo para uma reflexão interna da Igreja Católica de Moçambique, que reconhece a existência de problemas pastorais e institucionais. Os bispos observaram: 'A morte de Don Ozorio mostra-nos a fragilidade humana dentro de nós, como Igreja', apelando à renovação do compromisso evangelizador e do testemunho cristão.
Já em julho, a Conferência Episcopal de Moçambique já pedia a ampliação dos focos da investigação do assassinato de Ozorio Sitor Afonso, alegando que as autoridades não deveriam se limitar ao local residencial onde ocorreu o crime.
O bispo foi baleado na madrugada de 6 de junho em sua casa em Quelimane. Posteriormente, as autoridades anunciaram a prisão de três suspeitos, incluindo um padre católico, no âmbito da investigação.
Ozorio Sitor Afonso, membro do Instituto dos Missionários do Consulado, foi nomeado bispo de Quelimane em julho de 2025 e assumiu as funções de administrador apostólico da Arquidiocese de Beira em abril deste ano, tornando-se uma das figuras chave da Igreja Católica em Moçambique.
