A equipe de projeto detalhou a reforma do Apartamento João Moura, concebida para ser um espaço de convivência adaptável a variados níveis de ocupação, abrangendo desde encontros coletivos até o uso diário individual.
O apartamento foi planejado pensando nas necessidades da moradora, que dá grande valor aos momentos de receber e hospedar amigos e familiares. Assim, trata-se de um ambiente que consegue se expandir e contrair, inflar e desinflar, acomodando diferentes dinâmicas de uso sem comprometer sua funcionalidade cotidiana.
Inicialmente, o imóvel possuía uma disposição compartimentada, com delimitações claras entre cômodos como sala de estar, jantar, sala de TV, cozinha e lavanderia. Devido ao fato de a cozinha estar posicionada fora do eixo da área social — que apresenta uma geometria definida por ângulos abertos —, simplesmente remover a parede divisória não seria suficiente para promover a integração desejada.
A solução implementada permitiu que a cozinha ultrapassasse seus limites originais, avançando sobre a sala e assumindo um papel intermediário entre as funções de preparar, servir e conviver. No coração dessa área compartilhada, uma bancada elevada funciona como elemento de transição, atraindo quem chega e servindo de apoio para quem transita entre cozinhar e servir.
Essa bancada facilita o uso fluido, pois permite apoiar taças enquanto, ao lado, se prepara uma refeição, tudo isso visível tanto para quem cozinha quanto para quem assiste televisão. Diversos outros componentes reforçam essa conexão visual e funcional. A marcenaria em compensado cru é utilizada na bancada da cozinha, na copa integrada à cristaleira, no rack da sala — que possui detalhes em fórmica — e na estante que enquadra a mesa de jantar.
A continuidade espacial é reforçada pelo piso e pelas paredes revestidas em pastilhas, cuja paginação foi criada especificamente para este apartamento, sendo recorrente em várias áreas úmidas. Além disso, a cor azul é repetida em diferentes tonalidades na marcenaria, em certas paredes, ferragens e no próprio piso. Vigas e pilares de concreto aparente ajudam a consolidar a integração das áreas comuns, enquanto a iluminação, composta por peças de desenho convergente, oferece múltiplas possibilidades de ambientação para diferentes ocasiões.
Na seção íntima, o redesenho do layout possibilitou que, ao dispensar o banheiro de serviço, um pequeno depósito fosse ampliado para comportar um sofá-cama, que pode funcionar como escritório ou quarto de hóspedes. A suíte recebeu um novo design para guarda-roupas, cama e cabeceira, harmonizando-se com a estética geral do projeto. O quarto menor, que antes tinha uma geometria muito angular, foi reorganizado para também receber visitantes e incluir uma estação de trabalho.
Em suma, toda a intervenção arquitetônica foi pensada para responder à natureza de população flutuante, garantindo que o apartamento possa se ajustar a distintas formas e intensidades de ocupação.
