Em Roma, a poucos passos da esquina, encontra-se um monumento milenar. Entre essas construções, destaca-se a Pirâmide de Cestius, que lembra um monumento egípcio transplantado para o coração da capital italiana.
Após um período de três anos de fechamento para obras de reparo, a chamada 'pirâmide egípcia' de Roma foi reaberta ao público na sexta-feira (dia 4). A intervenção permitiu atualizar a área arqueológica, melhorar as condições de segurança e acessibilidade, além de instalar um novo sistema de iluminação.
A inauguração é inicialmente temporária. As visitas estarão disponíveis até 31 de outubro, em datas específicas de setembro e outubro. A entrada é gratuita, mas é necessário agendamento prévio, dependendo da disponibilidade de vagas.
A origem da pirâmide está ligada à influência da cultura egípcia em Roma após a conquista do Egito em 30 a.C. Elementos da arquitetura e religião egípcias espalharam-se pela sociedade romana e chegaram à elite, que começou a incluir referências faraônicas em diversas construções.
Foi neste contexto que Gaius Cestius Epulon encomendou a construção de seu túmulo entre 18 e 12 a.C. Cestius era um político romano que ocupou cargos de pretor e tribuno da plebe, e também fazia parte de um dos grandes colégios sacerdotais da Roma Antiga.
O testamento estabelecia prazos muito apertados para a conclusão da construção. Os herdeiros tinham 330 dias para terminar o túmulo, caso contrário, arriscavam perder a herança. Assim, a pirâmide deveria ser erguida em menos de um ano. No entanto, não foi uma estrutura pequena: o túmulo tem cerca de 36 metros de altura e uma base quadrada de aproximadamente 30 metros em cada lado.
Por muito tempo, a Pirâmide de Cestius foi cercada por inúmeras histórias sobre sua origem e propósito. Uma lenda dizia que o monumento guardava os restos mortais de Rômulo, fundador de Roma. No entanto, as inscrições latinas gravadas nas faces da pirâmide indicam claramente que Gaius Cestius Epulon foi sepultado ali.
A preservação desta estrutura foi determinada pelo imperador Aureliano. No século III, ele incluiu a pirâmide no sistema defensivo das Muralhas Aurelianas, construídas entre 271 e 275 d.C. Integrada às fortificações perto de Porta San Paolo, a estrutura permaneceu protegida em uma época em que muitos monumentos eram desmantelados ou saqueados para reutilização de pedras em novas construções. Dentro da pirâmide, elementos decorativos, como afrescos com figuras femininas, ainda estão preservados.
Uma das principais áreas de trabalho foi a iluminação. O novo sistema foi projetado para realçar os volumes da estrutura e os elementos preservados dentro da câmara funerária. A área externa também sofreu alterações. O caminho para caminhadas recebeu um novo revestimento com melhorias de acessibilidade, e os degraus de acesso foram equipados com um novo corrimão. Além disso, as cercas do complexo foram modernizadas e os portões de entrada em Piazzale Ostiense foram substituídos.
Para complementar as atualizações, os jardins receberam melhorias no sistema de irrigação e painéis informativos foram instalados com dados sobre o monumento e seu contexto histórico. Esses trabalhos fazem parte do projeto da Administração Especial de Roma, financiado pelo Plano Nacional de Recuperação e Resiliência (PNRR). O objetivo foi conciliar a preservação da estrutura com o fornecimento de melhores condições aos visitantes.
Excursões noturnas guiadas estão programadas para setembro nos dias 4, 11, 18 e 25, às 19h, 20h e 21h. Cada sessão terá cerca de 45 minutos e poderá receber até 30 participantes. Também estão previstos passeios diurnos nos dias 5, 12 e 19 de setembro, bem como 3, 10, 17, 24 e 31 de outubro, sempre às 16h30, 17h30 e 18h30. Nesses casos, a visita será gratuita, sem guia, e pode acomodar até 50 pessoas por sessão. Nos dias Europeus do Patrimônio, 26 e 27 de setembro, está programada uma programação especial das 10h às 16h, com visitas a cada hora e limite de 50 participantes por horário. Todas as visitas são gratuitas, mas o registro prévio é obrigatório.
