O Congresso Nacional sancionou um projeto que destina R$ 5 bilhões em incentivos fiscais para o setor de data centers e possibilita a execução orçamentária do Redata. Apesar da votação rápida na Câmara e no Senado, parlamentares aproveitaram a urgência da pauta para incorporar diversas modificações que satisfazem interesses políticos tanto regionais quanto setoriais.
A iniciativa original visava tornar viável o Redata, um programa de vantagens fiscais destinado aos data centers, com validade estendida até 2034. Este pacote de R$ 5 bilhões era considerado uma prioridade governamental dentro de um acordo político envolvendo os líderes do Legislativo.
Ao ser analisado na Câmara, o relatório apresentado pelo deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) sofreu uma alteração na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Essa mudança isenta municípios com população de até 65 mil habitantes de certas obrigações para receber fundos da União, como o cumprimento pontual de deveres com o órgão repassador e a prestação de contas de valores recebidos anteriormente. Na prática, isso expande o escopo dos repasses financeiros.
Membros da administração de Luiz Inácio Lula da Silva manifestaram, sob sigilo, sua oposição à alteração e defenderam sua rejeição. Não obstante, durante a votação, a liderança do governo orientou os parlamentares a votar a favor da matéria. O resultado na Câmara foi de 346 votos a 46. No Senado, houve 66 votos favoráveis e nenhum voto contrário.
A tramitação do projeto permitiu a inserção de outras demandas. Bulhões adicionou normas referentes ao regime tributário para zonas de livre comércio, incluindo uma providência destinada a facilitar a criação de uma área de benefícios comerciais no Amapá, estado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Adicionalmente, o texto contemplou a desoneração de CSLL e IRPJ para seguradoras regionais. Esta medida beneficia o IRB (Re), que é administrado por Maurício Quintella, ex-ministro dos Transportes durante o governo Michel Temer e aliado do grupo de Bulhões em Alagoas.
O que se iniciou como uma proposta para viabilizar os incentivos do Redata foi aprovado com modificações que também impactam emendas parlamentares, municípios, seguros e benefícios comerciais.

