Grandes árvores do mundo podem conter soluções para mitigar os efeitos das secas
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Grandes árvores do mundo podem conter soluções para mitigar os efeitos das secas

Pesquisas indicam que as maiores árvores do planeta podem possuir conhecimentos cruciais para enfrentar períodos de estiagem. Uma árvore colossal, que ultrapassa os 70 metros de altura em florestas tropicais, demonstra uma aparente resistência a tempestades, secas e intensa competição ao longo de séculos.

O principal obstáculo de engenharia enfrentado por estas árvores gigantes é a necessidade de conduzir água por dezenas de metros, desde o solo até as folhas, especialmente quando a seca se intensifica. Inicialmente, levantou-se a questão se estas árvores são inerentemente mais suscetíveis à seca ou se, pelo contrário, podem contribuir para a resiliência das florestas diante do aquecimento global.

Análises realizadas na última década não apontam para uma resposta uniforme das florestas tropicais às secas. Enquanto em certas áreas as árvores grandes sofrem mortalidade desproporcional, em outros casos, elas exibem uma notável capacidade de recuperação.

Em 2015, uma análise conduzida pelos pesquisadores mostrou que, durante eventos de seca, as árvores de maior porte tinham maior probabilidade de sofrer atrofia no crescimento ou morrer em comparação com as árvores menores. Essa conclusão parecia lógica, visto que árvores maiores necessitam transportar água por trajetórias verticais mais extensas e estão mais expostas às exigências atmosféricas e à luz solar em suas copas elevadas.

A teoria hidráulica apoiava essa visão, descrevendo o transporte de água como uma coluna contínua sob tensão, similar a um canudo. Durante secas severas, essa coluna pode romper, resultando em falha hidráulica e potencial morte da árvore. Pesquisadores haviam demonstrado em 2012 que muitas espécies operam muito próximas dos limites de seus sistemas de transporte hídrico durante períodos de estiagem, sugerindo uma vulnerabilidade particular das árvores grandes.

A seca na Amazônia, ocorrida durante a fase quente do intenso evento El Niño de 2015-16, confirmou esse padrão inicial. Ao medir mais de meio milhão de árvores em colaboração com colegas de toda a América do Sul, observou-se que o sumidouro de carbono da floresta praticamente cessou, e houve um aumento na mortalidade, concentrado principalmente nas árvores de maior porte.

Contudo, um achado interessante foi que as áreas mais impactadas não eram necessariamente as mais úmidas; as consequências mais graves ocorreram em florestas que já estavam adaptadas a condições relativamente secas, especificamente nas margens da Amazônia. Essas florestas abrigam espécies acostumadas à seca sazonal, mas ainda assim demonstraram alta sensibilidade ao estresse hídrico e ao calor extremo, provando que a adaptação regular não garante proteção contra eventos excepcionalmente intensos.

Adicionalmente, árvores com menor densidade de madeira também apresentaram maior vulnerabilidade, um resultado alinhado com a teoria hidráulica. Um estudo de 2023 validou que características hidráulicas podem prever diretamente o risco de mortalidade por seca nas florestas amazônicas.

Em contraste, os impactos da seca em florestas tropicais africanas durante o mesmo El Niño de 2015-16 apresentaram um cenário distinto. Nesses locais, as reduções no crescimento foram mais acentuadas nas árvores menores, enquanto as árvores maiores pareciam estar relativamente mais protegidas contra o estresse hídrico.

Essas respostas opostas evidenciam que não existe uma reação universal à seca; a causa primária da morte pode variar entre ecossistemas, podendo ser falha hidráulica em alguns casos e competição ou limitação de carbono em outros.

A questão mudou de saber se árvores grandes são mais vulneráveis para entender sob quais circunstâncias essa vulnerabilidade surge. Um estudo recente publicado na revista Nature, analisando um gradiente de precipitação em Porto Rico, adicionou complexidade ao cenário, mostrando que a resistência à seca variava mesmo dentro da mesma espécie, com árvores em ambientes mais secos apresentando maior resistência à falha hidráulica.

A resiliência florestal depende, portanto, não apenas das espécies presentes, mas também da capacidade dessas espécies de se ajustarem às condições locais de seca. As dipterocarpáceas, conhecidas por seu tamanho monumental, alta densidade de madeira e grande armazenamento de carbono, dominam muitas florestas do Sudeste Asiático e se elevam acima do dossel como arranha-céus.

Trabalhando em florestas de Bornéu, o autor destaca a dificuldade de estudar essas árvores devido ao terreno íngreme e à presença de contrafortes, classificando as medições fisiológicas em árvores tão altas como um feito extraordinário.

Pesquisas recentes sugerem que essas árvores gigantes conseguem superar o desafio hidráulico da altura através de modificações anatômicas e fisiológicas, mantendo sua função hidráulica apesar do grande porte. Isso implica que o tamanho, por si só, pode não ser o fator determinante da vulnerabilidade, mas sim um indicador de exposição a condições mais intensas e adversas na copa.

Embora árvores verdadeiramente gigantes sejam raras e pouco estudadas em inventários florestais de longo prazo, o consenso científico atual é que não há uma regra única para prever como as florestas responderão às secas.

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