Um estudo realizado em 2012 na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, conduzido por um grupo de cinco pesquisadores, demonstrou que pessoas de maior poder aquisitivo tendem a apresentar condutas menos éticas quando comparadas a indivíduos de classes sociais mais baixas. Este trabalho recebeu o prêmio Ig Nobel em 2026, reconhecido por pesquisas consideradas inusitadas e humorísticas.
O artigo original, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, compreendia sete experimentos distintos, desenhados para analisar a ética de pessoas de diferentes estratos sociais em cenários específicos. Um dos testes notáveis envolveu um pote contendo doces destinados a serem dados a crianças. Quando convidados a pegar um ou dois doces, os participantes com maior renda retiraram o dobro em relação aos participantes de outras faixas sociais.
Além disso, outros experimentos investigaram o comportamento ao dirigir. Neste contexto, os participantes mais abastados apresentaram quatro vezes mais probabilidade de ultrapassar outros motoristas e três vezes mais chance de avançar sobre um pedestre que aguardava para cruzar a via. No ambiente de trabalho, assumindo a função de empregador, os indivíduos de classes mais elevadas também mostraram maior tendência a ocultar informações sensíveis de seus colaboradores.
Os pesquisadores responsáveis pela pesquisa — Paul Piff, Daniel Stancato, Stéphane Côté, Rodolfo Mendoza-Denton e Dacher Keltner — foram agraciados com o Ig Nobel de Economia. Eles foram premiados por fornecerem evidências de que pessoas de classes mais altas são mais inclinadas a pegar doces reservados para crianças e a se engajar em outros tipos de atitudes antiéticas.
A cerimônia de premiação aconteceu no dia 3, e também contou com a participação de um grupo brasileiro que ganhou um prêmio por pisar 40 mil vezes em jararacas, com o objetivo de compreender o motivo pelo qual uma serpente pica um ser humano.
