O Brasil aprovou um programa destinado a estimular a produção de fertilizantes e matérias-primas obtidas por vias sintéticas, minerais e orgânicas, bem como biofertilizantes e biofertilizantes em território nacional.
Os principais objetivos desta iniciativa são garantir a segurança alimentar e nutricional, reduzir custos na cadeia de valor agrícola e assegurar o fornecimento estável de fertilizantes e matérias-primas para a agricultura brasileira.
As empresas produtoras que operam no Brasil podem se beneficiar do programa, desde que cumpram os requisitos de participação. Tais requisitos incluem a implementação de iniciativas locais de desenvolvimento, integração social, diálogo com as comunidades afetadas e adoção de medidas de redução de emissões de gases de efeito estufa.
A legislação também prevê a mistura obrigatória de fertilizantes nacionais nos produtos vendidos no país. Essa porcentagem é estabelecida em 2% a partir de 1º de julho de 2027 e aumenta para 10% até 1º de janeiro de 2037.
A partir de 2038, o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição Vegetal (Confert) deverá definir a evolução futura dessa mistura em uma faixa de 10% a 30%, levando em consideração a disponibilidade de produtos nacionais e as capacidades produtivas do setor.
O governo brasileiro também pode destinar fundos para linhas de crédito rotativo destinadas a investimentos no setor. Esses investimentos abrangem modernização, reativação e expansão de instalações industriais, bem como pesquisa, desenvolvimento, inovação e infraestrutura logística.
Os recursos serão repassados pelo Ministério da Fazenda ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que poderá gerenciar essas linhas diretamente ou por meio de instituições financeiras credenciadas, enquanto o Confert supervisionará os resultados do programa.
Ao assinar a lei, o presidente do Brasil vetou um ponto que definia que, para fins regulatórios, fertilizantes seriam considerados apenas aqueles 'extraídos e produzidos em território nacional', pois considerou esse trecho contrário aos interesses públicos.
Como o Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes consumidos, o país aposta na diplomacia, créditos e produção interna para reduzir a dependência desses recursos, segundo fontes do Governo Brasileiro entrevistadas pela Lusa.
A diversificação visa minimizar os riscos associados à tensão geopolítica e possíveis interrupções nas rotas marítimas, como o Estreito de Ormuz, para garantir a disponibilidade dos recursos necessários durante o plantio da safra de 2026/27.
O cronograma do Ministério da Agricultura e Pecuária, obtido pela publicação, demonstra uma mudança significativa na origem das importações de fertilizantes brasileiras no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com a apresentação, as compras aumentaram em 83% do Marrocos, em 61% dos Estados Unidos, em 60% da Venezuela, em 47% do Canadá, em 46% do Egito, em 34% da Argélia e em 23% de Israel. Houve, contudo, uma queda nas compras em 76% do Omã, em 59% do Catar, em 55% da Nigéria, em 17% da Rússia e em 3% da China, além do surgimento do Turcomenistão como novo fornecedor.
