Estudo aponta margem de erro de até 25% na contagem de calorias de smartwatches
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Estudo aponta margem de erro de até 25% na contagem de calorias de smartwatches

Uma pesquisa recente publicada na revista PLOS One indica que os relógios inteligentes podem cometer erros consideráveis ao calcular a quantidade de calorias queimadas durante os exercícios físicos.

Cientistas da Universidade Internacional da Flórida, localizados nos Estados Unidos, examinaram quatro modelos de relógios comerciais e concluíram que, em geral, esses dispositivos tendiam a superestimar o dispêndio energético dos participantes. Essa discrepância se acentuou em indivíduos com maior proporção de gordura corporal.

O estudo contou com a participação de 58 voluntários, cujas características incluíam variações em altura, cor da pele e constituição corporal. Cada voluntário realizou uma sessão intensa de ciclismo em um ergômetro reclinado, equipamento projetado para simular o exercício de bicicleta em ambiente controlado. Os dados registrados pelos relógios foram comparados com medições obtidas por um analisador laboratorial padrão.

Em média, os aparelhos demonstraram desvios de 80 a 110 calorias em comparação com o método de laboratório, o que corresponde a um erro estimado entre 15% e 25% nas estimativas. Dentre os modelos testados, o Samsung Galaxy Watch 5 e o Garmin Forerunner 955 foram os que mais inflacionaram o gasto energético. Já o Apple Watch Series 8 registrou uma diferença notavelmente menor durante os testes.

O Fitbit Sense 2 apresentou um perfil distinto; embora não tenha mostrado um viés médio significativo nas medições consideradas válidas, aproximadamente 13% das estimativas foram julgadas como inverossímeis. Ao considerar esses resultados, este modelo obteve o pior desempenho geral entre os quatro dispositivos analisados pelos pesquisadores.

Um achado positivo do estudo foi a ausência de diferenças notáveis ligadas à tonalidade da pele dos participantes. Contudo, a composição corporal exerceu uma influência relevante na exatidão das estimativas, pois quanto maior era o percentual de gordura corporal, menos confiáveis eram os resultados dos relógios.

Em um comunicado, os autores mencionaram que ainda não há clareza se o problema reside nos sensores empregados ou nos algoritmos responsáveis pela conversão dos dados em estimativas de gasto energético.

Como funcionam os dispositivos vestíveis

Relógios e pulseiras inteligentes calculam diversos indicadores durante atividades físicas utilizando sensores ópticos, dados de movimento e outras informações corporais. Um desses métodos é a fotopletismografia, que usa luz para identificar mudanças no volume sanguíneo sob a pele. Esses dados são processados por algoritmos para estimar parâmetros como frequência cardíaca e gasto energético, mas esse processo envolve cálculos indiretos e, consequentemente, está sujeito a falhas.

Este alerta é particularmente pertinente para quem busca ajustar sua dieta com base no gasto exibido no pulso. Em conversa com o Olhar Digital, Manuela Dolinsky, presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), alertou que a contagem de calorias do relógio não deve servir para autorizar o consumo imediato de alimentos após o exercício, lembrando que a estimativa de energia gasta é uma das informações menos precisas dessas tecnologias.

Na área nutricional, confiar cegamente nestes números pode comprometer os objetivos de saúde. Para Manuela, a superestimação do gasto energético pode resultar em um aumento inadequado da ingestão alimentar, diminuindo ou eliminando o déficit calórico planejado. Inversamente, a subestimação pode levar a restrições excessivas, baixa disponibilidade de energia, fadiga e recuperação física deficiente.

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