Análise da Coleção Master Metal Gear Solid Vol. 2: Dois Clássicos e Suas Traduções
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Análise da Coleção Master Metal Gear Solid Vol. 2: Dois Clássicos e Suas Traduções

A Coleção Master Metal Gear Solid Vol. 2 disponibiliza os títulos Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots e Metal Gear Solid: Peace Walker para as gerações atuais, o que quebra a exclusividade original da Sony. Atualmente, os jogos podem ser encontrados para Nintendo Switch, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, Xbox Series X|S e para PC (somente no Microsoft Windows).

Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots

Este jogo dá continuidade aos acontecimentos do segundo título da série (sendo o terceiro ambientado décadas antes do primeiro) e oferece um desfecho para Solid Snake. Trata-se de um jogo de furtividade com forte ênfase na narrativa, apresentando tanto pontos positivos quanto negativos.

A jogabilidade é considerada bastante funcional, contando com controles práticos e simples. O sistema de camuflagem simplifica o excesso de menus presente no terceiro jogo de forma interessante, enquanto a personalização de armas é direta, mantendo sua complexidade. A diversidade da jogabilidade inclui desde o uso de morteiros para abrir caminho, tiroteios diretos, até perseguições de motocicleta.

Alguns confrontos com chefes possuem características distintas, como a tela dividida onde Snake combate robôs com uma arma gigante e Raiden enfrenta Vamp com facas, além de batalhas entre robôs gigantes e trocas de socos com o chefe final. Todos esses elementos reforçam positivamente o aspecto stealth, evitando a monotonia e a repetição.

Em relação aos gráficos, que foram notáveis em sua época, eles permanecem agradáveis pelos padrões atuais. Embora não atinjam o nível dos jogos AAA contemporâneos, eles funcionam adequadamente e não prejudicam a experiência de jogo.

As cenas cinematográficas (cutscenes) representam um ponto problemático: são excessivas e muito longas. Já na introdução, com aproximadamente trinta minutos de duração, há apenas cerca de dois minutos de jogabilidade. Além disso, cada capítulo inicia e encerra com cutscenes de vinte a trinta minutos. Sempre que um personagem novo é introduzido, ocorre uma nova 'aula' (como no caso do mercador de armas, que dura 12 minutos para apresentar o personagem). Isso torna a experiência tediosa, repleta de detalhes irrelevantes para a trama, cujos trechos poderiam ser substituídos por jogabilidade pura.

No que tange à jogabilidade, apesar de ser variada e interessante, a acessibilidade do mercador pode prejudicar o stealth. Devido à facilidade e rapidez com que armas e munições podem ser adquiridas (instantaneamente, inclusive durante ações e lutas), é possível trocar a furtividade e a paciência por tiroteios frenéticos, o que pode desagradar fãs do gênero stealth.

Finalmente, a narrativa também apresenta falhas. O excesso de detalhes desnecessários afeta o ritmo, e cenas de drama ou comédia exageradas diminuem a seriedade do enredo. A crítica à indústria bélica, ao imperialismo e à rentabilidade das guerras se perde diante da artificialidade e, principalmente, das explicações excessivas sobre os aspectos 'técnicos' das diversas tecnologias utilizadas e das múltiplas reviravoltas da trama.

Metal Gear Solid: Peace Walker

Originalmente lançado para PSP, este jogo trouxe uma abordagem singular para a franquia, focando no modo multiplayer. Este elemento implica mudanças significativas em relação ao que se conhece de Metal Gear Solid, algumas positivas e outras não.

A história de Metal Gear Solid: Peace Walker é excepcionalmente boa, rica e envolvente, servindo como uma ligação direta para Metal Gear V. Ela é narrada em formato de motion comics, devido às limitações do PSP, mas isso não incomoda; pelo contrário, sua arte em tons de cinza, com destaque para certas cores (especialmente o vermelho), adiciona charme à trama.

A estrutura de fases curtas, concebida pensando no multiplayer, representa uma mudança drástica, mas muito bem-vinda para um spin-off da série. Sua divisão em estágios é intuitiva e facilita a navegação, sem impactar o ritmo do jogo. Contudo, ao morrer, o jogo retorna ao início da fase, o que impõe um desafio adicional dentro dessa estrutura.

O sistema de construção de base (base building) é um aspecto robusto, adicionando uma camada interessante de complexidade. É possível recrutar novos personagens, designá-los para pesquisa, coleta de materiais ou informações. Assim, também é possível desenvolver e aprimorar novas armas e equipamentos, configurando uma mecânica viciante.

O jogo é praticamente injogável usando teclado e mouse. Mesmo com suporte, os controles apresentam mau funcionamento: a câmera trava, há atraso nos comandos ou eles simplesmente não respondem. Sem um controle, não é possível jogar Peace Walker no PC — pelo menos até o momento desta análise. Nem mesmo a primeira fase introdutória pode ser concluída.

Os Eventos de Tempo Rápido (Quick Time Events), notórios na época do lançamento inicial, são outro ponto negativo. Eles ocorrem durante as cutscenes, quando o jogador está focado em acompanhar a história, o que interrompe completamente o ritmo narrativo. Apesar disso, são pontuais e não estragam a experiência.

As missões secundárias servem unicamente para obter mais recursos, sendo extremamente repetitivas, assim como os combates contra chefes. Estes últimos se resumem a usar uma bazuca contra um tanque de guerra, helicóptero ou maquinaria avançada, que funcionam como grandes absorvedores de dano, intensificando a repetição. A repetição é ainda maior com o grinding, que se torna essencial no final do jogo, tornando impossível prosseguir sem realizar as missões paralelas.

A Coleção Master Metal Gear Solid Vol. 2 oferece uma vasta gama de conteúdo extra. Entre os itens estão a trilha sonora dos dois jogos, um banco de dados de toda a história até o quarto jogo, um guia ilustrado completo e todo o roteiro, além de Metal Gear: Ghost Babel, lançado para Game Boy Color.

Metal Gear: Ghost Babel

Lançado em 2000, Metal Gear: Ghost Babel levou a série para o formato portátil da Nintendo. Seu estilo de jogabilidade é visto de cima, remetendo aos primeiros jogos da série, como os do MSX e do NES (Nintendinho). Diferentemente desses clássicos, suas mecânicas são um pouco mais elaboradas, lembrando parcialmente o primeiro Metal Gear Solid.

Apesar de sua simplicidade, não é um jogo breve para os padrões dos portáteis da década de 2000. Possui cerca de seis a oito horas de duração, distribuídas entre a jogabilidade e as cutscenes, que são exibidas através do comunicador, utilizando basicamente fotos dos personagens e texto de suas falas (a tecnologia da época não suportava diálogos falados em um portátil).

Em resumo, a Coleção Master Metal Gear Solid Vol. 2 é uma compilação modesta, contendo apenas três jogos, mas que oferece muito valor. Ela traz dois títulos de alta qualidade em vários aspectos, antes restritos ao PS3 e PSP (além de um jogo bônus para os fãs da série). É uma aquisição fundamental para os admiradores da série Metal Gear, podendo também agradar quem aprecia jogos stealth e/ou com temas de espionagem, crítica e política. No entanto, recomenda-se estar preparado para longas cutscenes em Metal Gear 4 e ter um controle caso deseje jogar Peace Walker no PC.

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