Meta fecha acordo judicial com estados americanos para impor limites de uso em redes sociais para adolescentes
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Meta fecha acordo judicial com estados americanos para impor limites de uso em redes sociais para adolescentes

A Meta firmou um acordo judicial abrangente com mais de 40 estados americanos, o Distrito de Columbia e diversos territórios. Este pacto visa finalizar processos judiciais referentes à saúde mental e à segurança de adolescentes que utilizam o Instagram e o Facebook. O acordo estabelece modificações operacionais nas plataformas e implica pagamentos que podem totalizar até US$ 17 bilhões (equivalente a cerca de R$ 87,2 bilhões) ao longo de dez anos.

Em contrapartida ao acordo, a empresa será obrigada a implementar novas salvaguardas para usuários entre 13 e 17 anos. Tais medidas incluem a imposição de limites de tempo de uso, bloqueios noturnos e alterações na maneira como o conteúdo é exibido. Uma parte dessas novas diretrizes deve entrar em vigor nos próximos seis meses.

Considerando que a Meta obteve uma receita de US$ 201 bilhões (aproximadamente R$ 1,03 trilhão) no ano anterior, a companhia precisa reestruturar a experiência oferecida aos adolescentes. Entre as mudanças cruciais, há a extensão do prazo das verificações de idade para até um ano, visando dificultar o acesso de menores de 13 anos e identificar adolescentes que forneceram dados incorretos sobre sua idade.

Para realizar essa checagem, a Meta está desenvolvendo um novo modelo preditivo. Este sistema deverá analisar diversas informações, como as conexões do usuário, quem ele segue, quem o segue e até mesmo interações específicas, como mensagens de aniversário. A verificação etária apresenta grande complexidade sem o uso de reconhecimento facial, tecnologia que a Meta não emprega para esse fim. Essa dificuldade gerou um debate com empresas como Apple e Google sobre qual entidade deveria assumir essa responsabilidade.

Já na Austrália, a Meta opera com tecnologia de controle de idade para cumprir legislações que proíbem o uso de redes sociais por menores de 16 anos, embora adolescentes continuem encontrando formas de burlar tais restrições.

A Meta também manifestou o desejo de que seus competidores implementem ações similares. Dos US$ 17 bilhões acordados (cerca de R$ 87,2 bilhões), US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 27,2 bilhões) somente serão liberados se o TikTok e o YouTube concordarem em contribuir com o mesmo montante e estabelecerem limites padrão de uma hora.

Declarações sobre o acordo

Rob Bonta, o procurador-geral da Califórnia que liderou o processo, enfatizou a magnitude do acordo, afirmando que ele representa o maior valor pago em um caso dessa natureza. Ele ressaltou que os US$ 17 bilhões podem ser extremamente benéficos para prevenir e tratar os prejuízos à saúde mental das crianças.

Contudo, nem todos consideram o acordo satisfatório. James Uthmeier, procurador-geral da Flórida, que não fez parte do pacto, prossegue com uma ação judicial independente contra a Meta. Ele criticou especificamente o fato de algumas alterações terem compromissos de cinco anos e outras de dez anos, argumentando que a proteção infantil não pode ser uma medida temporária.

O acordo final ficou aquém dos US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,03 trilhão) que os procuradores-gerais estaduais haviam inicialmente pleiteado. A Meta alega que adolescentes representam menos de 1% de sua receita. Existe o risco de que restrições mais severas possam direcionar os jovens para plataformas rivais, enfraquecendo o vínculo deles com Instagram e Facebook quando atingirem a idade adulta, período em que se tornam mais valiosos para a publicidade.

A empresa ainda enfrenta outros litígios, assim como seus concorrentes no setor. Portanto, o impacto das novas regulamentações no negócio da Meta deve ser observado não apenas no uso atual pelos adolescentes, mas também na sua capacidade de manter esses jovens dentro de seu ecossistema no futuro.

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