O paciente conseguiu viver com um rim de porco transplantado que funcionou por 271 dias. Este período é o mais longo registrado para um transplante tão bem-sucedido.
Tim Andrews relatou que este transplante lhe deu «esperança» e permitiu evitar meses de internação para diálise — um procedimento de terapia renal substitutiva no qual o aparelho remove resíduos e excesso de líquido do sangue.
Os médicos do Hospital Mass General Brigham em Boston, Massachusetts, EUA, foram responsáveis pela cirurgia. Eles afirmam que seu trabalho demonstra a possibilidade de usar órgãos suínos como uma «ponte» até que um transplante humano esteja disponível.
Ao paciente foi dito que ele poderia esperar cerca de sete anos na lista, enquanto as pessoas podem viver apenas cerca de cinco anos em diálise. Tim disse à BBC que a situação era «muito desanimadora», mas a ideia do transplante de porco foi «uma luz no fim do túnel» para ele.
No entanto, este órgão suíno acabou falhando e foi removido. A causa exata permaneceu incerta, pois, segundo os médicos, não houve sinais de ataque de anticorpos ao rim suíno.
Após um curto período de diálise, Tim conseguiu encontrar um doador humano. Ele sofria de insuficiência renal terminal causada por diabetes tipo 2, e seus rins estavam falhando. Ele tinha 66 anos quando recebeu a xenotransplante em 25 de janeiro de 2025. Os resultados foram positivos e foram publicados na revista especializada Lancet.
No entanto, após 271 dias, em outubro, o órgão foi removido. Tim fez diálise por 82 dias até receber um rim humano em janeiro deste ano, que ainda funciona bem.
Médicos e cientistas estão estudando a xenotransplantação (uso de órgãos de outras espécies) devido à escassez de órgãos doadores. Porcos são considerados animais ideais para tais transplantes, pois os órgãos têm um tamanho aproximadamente adequado e a experiência de sua criação existe há muitos anos.
Leonardo Riella, um dos médicos responsáveis pelo transplante de Tim, explicou: «Trabalhamos muito para trazer esperança e realmente acreditamos que a xenotransplantação pode ser uma alternativa para pacientes que não têm um doador vivo, para evitar a diálise e encaminhá-los para um transplante».
No entanto, é um erro pensar que se pode simplesmente pegar um rim de porco de uma fazenda e implantá-lo em um ser humano. O corpo humano reconheceria imediatamente o órgão como estranho e iniciaria um ataque imunológico destrutivo.
Para tornar esses órgãos parte da solução, os pesquisadores criaram porcos miniatura do tipo Yucatán, que passaram por 69 modificações genéticas para «humanizar» seus órgãos. Essas alterações incluem a remoção de certas características das células suínas que o sistema imunológico poderia reconhecer e atacar, além da adição de DNA humano que atua como uma rede de camuflagem para ajudar a «esconder» o tecido suíno, e ajustes adicionais que desativam vírus escondidos no DNA suíno para prevenir infecções.
Nos Estados Unidos, cerca de 100 mil pessoas estão na fila de espera por rins, mas apenas 25 mil transplantes são realizados anualmente. Em Portugal, a lista de espera tem cerca de 2 mil pessoas, e em 2025 foram realizadas 525 cirurgias.

