A diretora do Convento de Cristo antecipa a disponibilidade dos claustros, que foram alvo de intervenções financiadas pelo PRR, para setembro, e o Terreiro de Armas para outubro. O presidente do Património Cultural informou que o projeto sofreu reformulações para garantir a salvaguarda do monumento.
Em declarações concedidas à Lusa, Andreia Galvão, diretora do Convento de Cristo, salientou que a relevância de um monumento transcende o período do PRR, enfatizando a necessidade de manter a valorização e preservação do Convento e de revitalizar o espaço restaurado através de novos projetos após a conclusão das obras.
O Convento de Cristo, classificado como Património Mundial e localizado em Tomar, no distrito de Santarém, recebeu inicialmente um aporte de 5,2 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Este financiamento era destinado à reabilitação do Paço Henriquino, Alcáçova/Castelo, jardim e aos claustros.
Andreia Galvão especificou que os claustros de Santa Bárbara, D. João III e Lavagem estarão totalmente acessíveis ao circuito de visitas ainda neste mês. A finalização dos trabalhos no Terreiro de Armas está prevista para ocorrer em outubro. A diretora esclareceu que a última reunião de acompanhamento da obra aconteceu em 31 de agosto, momento em que estavam sendo encerrados os processos e realizados os ajustes finais referentes ao trabalho executado dentro do prazo estabelecido pelo PRR.
No entanto, existem atividades em andamento, como as do Pátio da Botica, que, segundo Andreia Galvão, excedem o prazo do PRR. Ela estima que essas intervenções correntes serão concluídas até o fim do ano.
João Soalheiro, presidente do Património Cultural, explicou à Lusa que o plano inicial precisou ser modificado durante sua execução, especialmente no que tange ao Paço Henriquino. Ele mencionou que o itinerário proposto originalmente teve que ser corrigido no meio do caminho.
Soalheiro relatou que uma empreitada destinada ao Paço Henriquino, avaliada em aproximadamente quatro milhões de euros, necessitou ser encurtada. Segundo ele, certas soluções planejadas mostraram-se incompatíveis com as características patrimoniais que foram posteriormente identificadas.
O responsável afirmou que, naquele momento, perceberam que prosseguir com o projeto contratualizado acarretaria a destruição de patrimônio. Ele ressaltou que isso não decorreu de um planejamento falho, mas sim de um conhecimento inicial «superficial» das características do monumento, notadamente pela ausência da participação da arqueologia.
Como exemplo, citou uma área onde havia previsão de instalação de um elevador por questões de acessibilidade, mas que se revelou pertencer a uma das partes mais antigas do edifício, datada do século XV. Por essa razão, foi necessário recuar, adotando uma postura patrimonial de reavaliação e recalibração da situação.
Soalheiro detalhou que a reforma dos claustros de Santa Bárbara e D. João III representa mais de 1,7 milhão de euros, enquanto os trabalhos no Claustro da Lavagem, Paço Henriquino e Terreiro de Armas somam mais de 1,5 milhão de euros. O Pátio da Botica custará cerca de 400 mil euros e visa possibilitar o encerramento do circuito de visitas com maior qualidade e garantias.
O Património Cultural não divulgou à Lusa o custo final total do PRR no Convento de Cristo, considerando as mudanças feitas no orçamento inicial de 5,2 milhões de euros. O instituto esclareceu que cumprir o prazo de 31 de agosto não significa que todos os contratos em cada estrutura estejam integralmente finalizados naquela data.
João Soalheiro acrescentou que a meta europeia exigia a conclusão das «obras principais» em 81 museus, monumentos e palácios, bem como nos três teatros nacionais envolvidos, estimando que as demais ações do PRR terminarão até o final do ano.
Adicionalmente ao PRR, há planos para outras melhorias no Convento de Cristo, incluindo a musealização do piso térreo do Claustro da Lavagem, programada para o início de 2027. Andreia Galvão informou que este novo núcleo integrará parte do acervo reunido pela União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo (UAMOC), composto por itens funerários e monográficos, além de elementos esculturais e arquitetônicos próprios do monumento.
Também está prevista a instalação de iluminação cênica na Janela do Capítulo, e a luminotécnica de valorização artística da Charola e da Nave Manuelina deve ser concluída em breve, sendo estas últimas intervenções não contempladas no âmbito do PRR.
