Novo diretório do Serviço Nacional de Saúde prevê estagnação na cobertura por médicos de família até 2028
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Novo diretório do Serviço Nacional de Saúde prevê estagnação na cobertura por médicos de família até 2028

O novo Diretório Global (QGR) do Serviço Nacional de Saúde (SNS) prevê a manutenção do nível de cobertura por médicos de família em 85,3% da população até 2028, quando o número total de trabalhadores do sistema de saúde deverá ultrapassar 160 mil pessoas.

Estes indicadores fazem parte do QGR do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para o período trienal de 2026–2028, publicado no Boletim Oficial e estabelece orientações estratégicas e financeiras para as Unidades Locais de Saúde (ULS) durante este prazo.

Apesar de ter sido publicado apenas hoje, o despacho do Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, entrou em vigor a partir de 1 de janeiro deste ano.

De acordo com o documento que define o quadro estratégico do SNS, espera-se que a percentagem de utilizadores com médico de família atribuído permaneça inalterada — 85,37% — em 2026, 2027 e 2028, correspondendo ao nível de 2024.

Em termos de indicadores operacionais, o QGR aponta para um aumento no número de consultas no SNS: de aproximadamente 47,7 milhões no ano corrente para mais de 48,7 milhões até 2028. O Governo também planeia que o número de cirurgias aumente de cerca de 799 mil em 2026 para quase 832 mil em 2028, e o número de idas às urgências diminua de 4,5 milhões para 4,2 milhões no mesmo período.

O QGR prevê também um crescimento do quadro do SNS: o número de trabalhadores aumentará de 157 mil para mais de 160 mil até 2028, enquanto em 2024 eram cerca de 151 mil no sistema de saúde público.

No plano financeiro, o documento indica despesas totais do SNS de 19,714 mil milhões de euros em 2028, o que representa 1,216 mil milhões de euros a mais do que os 18,498 mil milhões de euros do ano corrente. Também se observa que a dívida do sistema de saúde pública deve diminuir durante este período de três anos: de 891 milhões de euros em 2026 para 807 milhões em 2027 e 785 milhões em 2028.

O despacho dos ministérios das Finanças e da Saúde determina que as despesas totais do SNS com pessoal, custo dos bens realizados e materiais consumidos, bem como serviços externos, devem «corresponder a uma redução gradual do ritmo de crescimento durante o período de três anos de 2026–2028».

Em matéria de recursos humanos, está indicado que as unidades do SNS devem ser providas com os especialistas necessários, o que permitirá realizar novas contratações através de contratos de trabalho sem termo, que em conjunto podem garantir um aumento de até 1,4% no número de trabalhadores em 2026 em comparação com os dados de 31 de dezembro de 2025.

O QGR do SNS serve como ferramenta de planeamento de três anos, sendo a base para os Planos de Desenvolvimento Organizacional (PDO) das ULS — uma espécie de programa-contrato, através do qual cada unidade define a atividade prevista e os recursos necessários para a sua concretização.

A aprovação e publicação do respetivo despacho ocorreram após a Ordem dos Enfermeiros alertar para a existência de cerca de três mil enfermeiros novos prontos para entrar no mercado de trabalho, enquanto vários setores do SNS continuavam a reportar falta de especialistas e não conseguiam contratar pessoal. O presidente da Ordem dos Enfermeiros, Luís Filipe Barreira, exigiu a intervenção urgente do Ministro da Saúde.

Na quinta-feira, o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, respondeu a perguntas de jornalistas no Hospital de Matosinhos, afirmando que a aprovação do Diretório Global dependia do Ministério das Finanças.

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