De acordo com um novo estudo realizado pela consultoria ECMX a pedido do Conselho de Bens de Consumo da África do Sul (CGCSA), a economia ilegal da África do Sul é estimada em 280 bilhões de randes anualmente. Essa atividade resulta na perda de mais de 87.000 empregos formais e na redução da receita fiscal do estado em pelo menos 68 bilhões de randes por ano.
O relatório da ECMX mostrou que o comércio ilegal prejudica a economia em 126 bilhões de randes do PIB e desloca mais de 87.000 empregos formais do mercado. O estudo abrangeu 12 setores, incluindo tabaco, álcool, vestuário e têxteis, alimentos, combustível, mineração, farmacêuticos, jogos de azar, cosméticos, produtos químicos, bebidas não alcoólicas, bem como brinquedos e jogos.
A especialista da ECMX, Ilze Fieldgate, observou que o impacto do comércio ilegal vai além da simples diminuição da atividade econômica. Ela enfatizou que, em vários setores, o comércio ilegal está intimamente ligado a redes criminosas organizadas envolvidas em falsificação, evasão fiscal, contrabando, lavagem de dinheiro e corrupção.
Fieldgate acrescentou que essas redes frequentemente operam em múltiplos setores, adaptando seus métodos em resposta ao aumento das medidas de controle e explorando falhas na gestão de fronteiras, sistemas regulatórios e cadeias de suprimentos, tornando o comércio ilegal um problema não apenas para a economia, mas também para a governança e segurança nacional.
O dano aos negócios legítimos é de 193 bilhões de randes
O estudo também revelou que a economia formal sente as consequências desse problema: o PIB da África do Sul é estimado em 126 bilhões de randes menor devido ao comércio ilegal. Além disso, empresas legítimas são forçadas a perder 193 bilhões de randes em volume de produção formal, à medida que a demanda se desvia dos produtores legais, atacadistas, varejistas e outras empresas.
A diretora geral do CGCSA, Zinhle Taikwe, afirmou que o combate ao comércio ilegal deve ser visto como uma prioridade econômica, e não apenas como uma questão de aplicação da lei. Na sua opinião, a escolha é entre permitir que recursos econômicos limitados fluam para a economia sombria ou direcioná-los para investimentos produtivos, emprego sustentável, fortalecimento das finanças públicas e desenvolvimento econômico abrangente.
Intensificação do combate por parte do governo
Essas conclusões surgiram em meio à intensificação dos esforços do governo para combater a economia ilegal. O Presidente Cyril Ramaphosa anunciou no início deste ano, em seu discurso sobre o estado da nação, o lançamento de um programa nacional para prevenir a economia ilegal. Ele informou que este programa unirá os principais órgãos governamentais e outras partes interessadas, incluindo o setor privado.
Ramaphosa declarou que, com o auxílio da análise de dados e inteligência artificial, haverá trabalho direcionado nos setores de alto risco, como tabaco, combustível, álcool e outros produtos falsificados. Ele também observou que o programa se concentrará em melhorar a coordenação entre os departamentos, acelerar investigações e aplicar mais rigorosamente as leis existentes para garantir a responsabilização dos infratores. O presidente enfatizou que o crime organizado é a ameaça mais urgente à democracia, à sociedade e ao desenvolvimento econômico.
