Para muitos residentes da África do Sul, Allan Pei conseguiu tornar o mandarim menos estranho e mais familiar para a comunicação cotidiana. Este criador de conteúdo, conhecido online como Allan Sensei, aos 29 anos, conquistou um público em rápido crescimento usando um método simples: ele ensina frases chinesas aplicando-as no contexto de línguas sul-africanas e situações domésticas familiares.
Ele domina quatro idiomas — inglês, afrikaans, isiXhosa e mandarim, e também inclui no seu repertório o dialeto de Xangai, ou shanghainês. Allan nasceu na África do Sul de pais chineses de Xangai, e sua infância foi dividida entre uma pequena cidade em Cradle, na província de Eastern Cape, e um lar moldado pela língua e tradições chinesas.
Ele recorda que, como seus pais são imigrantes e mantêm fortes tradições chinesas, eles inicialmente não falavam inglês, comunicando-se apenas em chinês e tentando aprender a interagir com os locais. Ao contrário deles, graças ao seu ambiente, Allan pôde se comunicar com todos desde cedo.
Para Allan, momentos comuns da infância, como brincar com outras crianças, visitar suas casas e participar de festas, tornaram-se sua sala de aula. Ele observa que, naquela época, não percebia que estava misturando culturas. Quando saía de casa, precisava falar em diferentes idiomas e pensar de maneiras diferentes, interagindo com crianças brancas, coloridas e negras. No entanto, assim que voltava para casa, tudo mudava para o chinês, enquanto o dever de casa era feito em inglês.
Ele se via como alguém que se adapta a duas culturas e aprende com ambos os lados. Sua capacidade de adaptação, de fazer perguntas e manter conexões definiu sua abordagem ao aprendizado de idiomas. Ele acredita que a ausência de uma língua comum não significa falta de vontade de passar tempo juntos; isso contribui para o estabelecimento de contato e aprendizado de idiomas.
Anos depois, essas experiências cotidianas formaram a base de sua persona online. Antes de criar conteúdo, Allan estudou direito e trabalhou em setores de negócios corporativos e hospitalidade. No entanto, a ideia de fazer algo online sempre o atraiu, e ele encontrou seu nicho após se deparar com as mesmas interações de vida: as pessoas perguntavam-lhe sobre sua origem e como ele aprendeu os idiomas.
Ele decidiu criar conteúdo que fosse compreensível para os residentes da África do Sul, mas que ao mesmo tempo refletisse sua herança chinesa. Essa ideia surgiu das perguntas constantes que recebia sobre idiomas, como: 'Você pode me ensinar chinês? Como dizer isso em chinês?' Assim, ele uniu seus dois mundos através da criação de conteúdo. O que mais o surpreendeu não foi a atenção, mas sim a comunidade positiva que se formou ao seu redor.
Para Allan, essa comunidade simboliza algo mais do que apenas redes sociais; ela fala sobre as relações entre a China e a África do Sul e sobre o papel que a linguagem pode desempenhar no aprofundamento dessas relações. Ele afirma que a linguagem atua como uma ponte entre essas duas culturas, permitindo construir confiança e obter respostas.
Através de seus vídeos, ele busca mostrar às pessoas que é preciso olhar além dos estereótipos e reconhecer a humanidade comum. Embora admita que as duas culturas possam parecer muito diferentes, ele acredita que elas são, na verdade, bastante semelhantes. Além disso, os vídeos de Allan chegaram até à China, quando um colega sul-africano que leciona na China pediu para usar um de seus clipes para dar aos alunos uma lição breve, mas substancial de isiXhosa.
Ele tenta visitar sua família em Xangai uma vez por ano, mas é grato pela oportunidade de continuar sentindo sua herança chinesa em casa, seja através da comida ou simplesmente conversas com os parentes. Apesar da popularidade, Allan continua se considerando um aluno. O chinês permanece o mais difícil para ele devido à necessidade de estar ciente das mudanças de tom e de todos os detalhes técnicos. Seu conselho para quem tenta aprender um novo idioma é praticar com pessoas, cometer erros e continuar avançando. Ele exorta: 'Não seja muito duro consigo mesmo. Aproveite o processo.'

