A Casa Solís 21, um projeto de moradia temporária, foi desenvolvida em um cenário rural localizado em Soca, Canelones. Ela foi idealizada como uma casa de veraneio para uma família que desejava um local de convívio e descanso próximo a Montevidéu.
O conceito arquitetônico proposto visa estabelecer uma conexão duradoura entre a edificação e o meio natural circundante, propondo uma forma de habitar intrinsecamente ligada à paisagem. A residência está estruturada em três módulos interligados, que organizam as diferentes zonas da casa, promovendo um equilíbrio entre áreas sociais, privacidade individual e autonomia familiar.
O primeiro módulo abriga os espaços de convivência — sala de estar, sala de jantar e cozinha —, dispostos em uma área transversal voltada de leste a oeste. Essa orientação permite enquadrar as vistas para o lago e maximizar a entrada de luz natural. Este mesmo volume inclui a suíte principal, projetada para oferecer maior grau de privacidade.
O segundo módulo serve como ponto de acesso e articulador geral da residência, enquanto o terceiro módulo, posicionado voltado para o norte, contém os quartos destinados às crianças.
Em termos de materiais, o projeto resgata características tradicionais da casa de campo uruguaia, mas sob uma perspectiva moderna. A combinação de uma volumetria precisa e minimalista, revestida em madeira e coberta por chapas metálicas, cria um diálogo tranquilo com o ambiente, integrando a casa ao seu entorno sem comprometer sua identidade.
A natureza modular do projeto não se restringe apenas à disposição espacial; ela também define o método construtivo. Os três módulos foram fabricados completamente na planta da iHouse, em um ambiente controlado, e só depois foram transportados da fábrica até o campo para serem assentados sobre a fundação e conectados entre si. Esta abordagem metodológica possibilitou diminuir consideravelmente o tempo de obra no terreno e reduzir o impacto ambiental na paisagem.
O resultado final é uma residência que une a exatidão da construção industrializada com uma vivência profundamente conectada ao local: uma casa concebida em fábrica, levada à paisagem e, por fim, incorporada a ela.
