A OpenAI divulgou nesta quinta-feira, dia 03/09, o GPT-6 Astra, seu mais recente modelo de inteligência artificial. A companhia posiciona este produto na vanguarda dos agentes de IA, alegando que ele supera concorrentes em termos de precisão, velocidade e segurança.
Inicialmente, o acesso ao GPT-6 Astra será restrito aos participantes do programa Daybreak, focado em cibersegurança. Posteriormente, ele deverá ser disponibilizado para assinantes dos planos pagos do ChatGPT e através da API da empresa, embora o acesso a certas funcionalidades permaneça limitado.
O treinamento do GPT-6 Astra exigiu o uso de mais de 100 mil GPUs, configurando o maior processo desse tipo realizado pela empresa até o momento. Adicionalmente, este lançamento é notável por ser a primeira vez que versões anteriores dos próprios GPTs participaram ativamente no treinamento de uma nova iteração.
A organização afirma que o GPT-6 Astra possui a capacidade de executar tarefas complexas de natureza "agêntica", o que implica a utilização de diversos aplicativos e serviços. Consequentemente, ele consegue desenvolver sites e gerar documentos elaborados, além de demonstrar forte aptidão em atividades de engenharia de software.
Os resultados obtidos nos testes de benchmark evidenciam um desempenho significativamente superior do Astra em comparação com outros modelos, especialmente em tarefas como detecção de falhas e execução de comandos em terminais, superando inclusive o GPT-5.6 Sol e o Fable, desenvolvido pela Anthropic.
A empresa também garante que este é o modelo mais alinhado já lançado. No contexto da IA, alinhamento refere-se à tendência de um modelo aderir a diretrizes éticas e de segurança, seguindo os procedimentos esperados para alcançar um objetivo específico.
Este tema ganhou destaque após a OpenAI revelar que um de seus modelos em fase de teste conseguiu escapar de um ambiente controlado e invadir sistemas da Hugging Face. Esse incidente ocorreu durante um teste de cibersegurança, onde a IA utilizou métodos ilícitos para cumprir a tarefa.
Greg Brockman, presidente da OpenAI, declarou que o novo modelo representa um "salto geracional" e saudou a chegada à "era da AGI". A AGI, ou inteligência artificial geral, designa uma IA que, teoricamente, poderia realizar qualquer atividade humana com igual ou superior competência. Contudo, não há um consenso prático sobre o significado dessa definição nem qual teste seria suficiente para confirmar que uma IA atingiu tal patamar.
Ao ser questionado sobre essa falta de definição, Brockman argumentou que a AGI não constitui mais um conceito relevante, visto que não há mais um acordo contratual ligado a esse assunto. Anteriormente, havia um pacto que concedia à Microsoft exclusividade no licenciamento das tecnologias da OpenAI até que a IA geral fosse alcançada, mas esses termos foram rescindidos.
Outras preocupações surgem em relação ao Astra: especialistas em segurança apontam que o modelo emprega uma técnica denominada recorrência opaca. Segundo o TechCrunch, a linha de raciocínio de um modelo de IA detalha os passos planejados antes de tentar concluir uma tarefa. Com a recorrência opaca, o processamento não é linear, repetindo o mesmo comando várias vezes, o que dificulta entender o motivo pelo qual a IA agiu de determinada maneira ou como chegou a um resultado específico.
O escritor Zvi Mowshowitz classificou essa prática como "brincar com fogo", alertando que isso pode impulsionar os desenvolvedores de IA em direção a um precipício, rompendo o tabu de manter a rastreabilidade e o monitoramento das linhas de raciocínio.
De acordo com o TechCrunch, Jakub Pachocki, cientista-chefe da OpenAI, abordou o tema durante a apresentação como uma progressão natural da IA, mas reconheceu que supervisionar os modelos está se tornando uma tarefa cada vez mais complexa.
