O primeiro estatístico-chefe da Índia, Pronab Sen, expressou séria preocupação durante uma conversa telefônica com Asit Ranjan Mishra em relação aos últimos dados do Produto Interno Bruto (PIB) e à crítica que ele não compartilha.
Ele observou que é difícil julgar a veracidade do crescimento do PIB no primeiro trimestre (abril-junho) de 2026-27 no nível de 7,8%, visto que houve ajustes de baixa significativos no passado recente. Sen enfatizou que a estimativa inicial do PIB trimestral é baseada em dados extremamente fracos, e o histórico mostra reduções substanciais.
Embora sua hipótese pessoal tenda a ser que o crescimento nominal de 10% obtido provavelmente esteja correto, sua principal questão diz respeito aos deflatores de preços que determinam o crescimento real do PIB.
Discussão sobre as controvérsias dos indicadores do PIB do primeiro trimestre
Os indicadores do PIB do primeiro trimestre tornaram-se objeto de intensos debates. Sen mencionou ter lido críticas apenas do ex-secretário de finanças Subhash Chandra Garg. Ele discorda dessa crítica, afirmando que a prática aceita é comparar a última estimativa com a última estimativa revisada.
Em relação à acentuada queda do PIB nominal do primeiro trimestre de 2025-26 na mudança da base, Sen supôs que isso pode ter várias causas. Ao realizar a revisão da base, correções de todos os excessos anteriores são feitas, e neste caso, a redução de 7-8% está relacionada ao ajuste de avaliações passadas do PIB, em sua opinião.
Questões sobre a metodologia da nova série do PIB
O principal problema da nova série do PIB, na opinião de Sen, é a própria metodologia. Embora as mudanças introduzidas no sistema sejam legítimas, desejáveis e conhecidas anteriormente, elas não foram aplicadas devido à falta de dados necessários. Sen apontou problemas relacionados a preços e índices de preços.
Ele observou que a deflação dupla é uma mudança positiva que exige muito mais dados do que a deflação simples, que requer apenas dados sobre o preço dos bens finais. A deflação dupla requer preços não apenas dos bens finais, mas também de todos os bens intermediários, o que representa um volume de bens significativamente maior. Sen não viu provas da existência de tais dados.
O Ministério da Estatística e Implementação de Programas (Mospi) utilizou o Índice de Preços ao Produtor (PPI) na deflação dupla. No entanto, não se sabe se o índice de preços de insumos foi usado, pois ele está em estágio experimental. Sen expressou preocupação se os preços de insumos foram coletados e utilizados, e por que não foram divulgados.
O Mospi declarou que os «fontes e métodos» seriam publicados em duas semanas. Sen lembrou que as novas estimativas de base foram publicadas no ano passado e deveriam estar disponíveis antes.
Outras preocupações
O segundo ponto que levanta dúvidas é o PPI. Por mais de duas décadas, foi impossível calcular o PPI porque os produtores se recusavam a fornecer preços, citando segredo comercial. Em contraste, o Índice de Preços no Varejo (WPI) é um preço de mercado pelo qual cotações podem ser obtidas.
Sen também observou que frequentemente falta um preço único, pois o produtor pode vender a distribuidores grandes e pequenos a preços diferentes, e ele precisa fornecer uma média. Ele duvida se esses dados puderam ser coletados, a menos que as empresas indianas tenham se tornado muito cooperativas.
Ele acredita que o Mospi deveria esperar até que a série PPI amadurecesse antes de implementá-la como deflator. A prática correta é lançar paralelamente dois conjuntos de dados para comparar os resultados.
Outro ponto controverso é o crescimento da produção real em 9,2%, onde o deflator se tornou negativo (-1,5%). Sen explicou que isso é possível com a deflação dupla, mas impossível com a deflação simples.
O Mospi alegou que não há razão para o deflator do PIB seguir o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) ou o WPI, pois seus escopos são diferentes. Sen considerou suspeito que o deflator tenha sido de 2,5% no trimestre em que o WPI estava próximo de números de dois dígitos, considerando a transição do WPI para o PPI e a aplicação da deflação dupla.
No Reino Unido ou Austrália, os pesquisadores podem reconstruir grande parte do cálculo do PIB graças a dados detalhados de demanda e uso, o que não acontece na Índia devido à ausência de publicação dos dados originais. Sen insiste na necessidade de divulgar esses dados em um certo nível de agregação para garantir a transparência.
Ele também exigiu esclarecimentos sobre como o PIB foi calculado e de onde vieram os dados para o PPI, além de apontar a necessidade de restaurar e expandir a Tabela de Demanda e Uso (SUT), que efetivamente parou de ser produzida.
