História das primeiras radiografias e a contribuição do médico brasileiro para o desenvolvimento da radiologia
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

História das primeiras radiografias e a contribuição do médico brasileiro para o desenvolvimento da radiologia

Você pode ter ouvido ou lido que os raios-X foram inventados por um brasileiro. No entanto, isso não é totalmente verdade. Ainda assim, o médico Manoel Dias de Abreu merece seu lugar na história da radiologia. Embora ele talvez não tenha inventado a tecnologia em si (o mérito pertence ao físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen), ele desenvolveu um aprimoramento do raio-X — a abreografia.

Ambos os métodos utilizam a radiação dos raios-X para visualizar o conteúdo interno do corpo humano, mas diferem em princípio de funcionamento e custo.

Deve-se também notar que, graças à abreografia, o médico brasileiro liderou uma revolução na saúde pública no país.

A história da radiologia começou em 8 de novembro de 1895, no laboratório de Röntgen. Durante experimentos com eletricidade em tubos de vidro quase desprovidos de ar, o físico notou que um papel adjacente começou a brilhar. Ele descobriu um 'raio invisível' que emanava do tubo e passava através de objetos sólidos.

Como Röntgen não sabia exatamente o que era essa radiação, ele a nomeou provisoriamente como 'raio X'. Na matemática, a letra 'X' geralmente denota uma grandeza desconhecida.

Em seguida, o físico estabeleceu que esses raios atravessavam a pele e os músculos, mas eram interrompidos por materiais densos, como ossos. Em 22 de dezembro de 1895, ele pediu à sua esposa, Anna Bertha Röntgen, que colocasse o braço esquerdo em uma placa fotográfica. Em seguida, o cientista ligou o aparelho e permitiu que a radiação agisse por cerca de 15 minutos.

Ao revelar o filme, Röntgen viu uma imagem que entrou para a história: o silhueta dos ossos do braço de sua esposa e o contorno do anel de casamento que ela usava no momento da foto. Esta foi a primeira radiografia do mundo. Em 1901, o cientista recebeu o Prêmio Nobel de Física por sua descoberta.

Voltando um pouco no tempo, a primeira radiografia no Brasil foi feita em 1896. Na época, era uma tecnologia revolucionária, mas era muito demorada e cara. Seu uso em massa pela população era impraticável, mas necessário.

Naquela época, o mundo enfrentava uma epidemia de tuberculose — uma doença bacteriana de desenvolvimento lento, que as pessoas descobriam quando já era tarde demais para o tratamento. Nas capitais, como Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), a situação era catastrófica.

Surgiu a questão: e se fosse possível fazer radiografias em massa, rápidas e baratas? Foi sobre essa questão que o médico de São Paulo, Manoel Dias de Abreu, refletiu. Sua ideia consistia em combinar a radiologia com a fotografia comum.

Este aparelho não funcionou imediatamente. Abreu tentou criar esse sistema em Paris em 1919, mas sem sucesso. Mais tarde, em 1924, ele tentou novamente, e falhou outra vez. O problema era que as telas de raios-X da época emitiam pouca luz, o que resultava em fotografias muito escuras.

Somente em 1936, ainda no Rio, Abreu conseguiu obter suas primeiras imagens nítidas graças à tecnologia de telas mais brilhantes. Inicialmente, o médico chamou o método de radiografia em homenagem ao físico Wilhelm Conrad Röntgen. Mais tarde, em 1939, o método passou a ser chamado de abreografia em homenagem ao doutor.

Sendo cem vezes mais barato que o raio-X comum, a abreografia permitiu diagnosticar a tuberculose em milhões de pessoas antes que fosse tarde demais. Por exemplo, era possível descobrir a doença antes mesmo do aparecimento de quaisquer sintomas.

A empresa Casa Lohner, subsidiária da Siemens, fabricou os primeiros aparelhos de abreografia no Rio de Janeiro com base nos desenhos e instruções do médico. Assim, seu método se espalhou rapidamente pelo mundo, ajudando significativamente no combate à tuberculose.

O significativo aprimoramento da radiologia rendeu a Abreu várias indicações ao Prêmio Nobel, mas o doutor nunca o recebeu.

Histórias semelhantes

История электрического душа: бразильская технология, изменившая мир
Leia mais
olhardigital.com.br

История электрического душа: бразильская технология, изменившая мир

O chuveiro elétrico, um item comum no cotidiano, é uma invenção originária do Brasil. Seu criador foi Francisco Canho, que desenvolveu o aparelho em Jaú, cidade localizada no interior do estado de São Paulo, em janeiro de 1927.

Canho chegou a desmontar um ferro elétrico e identificou o componente conhecido como 'resistência' — uma peça metálica que gera calor ao ser atravessada por corrente elétrica. Sua ideia era simples: ao inserir essa resistência em um tubo por onde passasse água, seria possível aquecer a água. Inicialmente, o conceito funcionou.

A motivação para a criação não foi um mero capricho técnico; Canho desenvolveu o dispositivo para auxiliar no cuidado de seu pai, que sofria de reumatismo e não suportava banhos frios. Antes disso, quem desejava água quente precisava aquecer a água utilizando um fogão a lenha, e a invenção de Canho visava otimizar esse processo.

Após passar por diversas fases de testes, Canho conseguiu estabilizar o modelo e iniciou a comercialização em Jaú. Posteriormente, ele fundou sua própria companhia, a F. Canhos, expandindo a venda do produto para todo o território nacional.

O chuveiro elétrico recebeu o registro de patente em 1943. Contudo, outras empresas, como a Lorenzetti, já estavam produzindo versões similares. Na década de 1950, a Lorenzetti assumiu a posse da patente original de Canho.

Ao longo do tempo, o aparelho sofreu inúmeras evoluções. Uma mudança significativa ocorreu no material de fabricação: enquanto os modelos iniciais eram metálicos, a partir da década de 1960, o plástico tornou-se predominante, o que resultou em uma redução considerável nos custos de produção, impulsionando a aceitação do produto pelo público brasileiro.

Com a questão do preço resolvida, os aprimoramentos focaram em aumentar o conforto do usuário, introduzindo potências mais elevadas e opções de modos verão e inverno. Edval Delbone, professor de engenharia mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia, comenta sobre essa evolução. Ele aponta que os primeiros modelos eram básicos, mas hoje existem aparelhos com até duas ou três configurações de modo, e a potência aumentou drasticamente, passando de 3.500 W nos primórdios para 7.800 W atualmente.

A prática de aquecer a água diretamente no chuveiro é característica do Brasil. Em contraste, nos Estados Unidos e na Europa, os sistemas utilizados são distintos. Segundo Delbone, nesses locais, é comum o uso de aquecedores centrais, sejam eles a gás ou elétricos, conhecidos como 'boiler', que aquecem grandes volumes de água e a direcionam às duchas, sem necessidade de conexão elétrica direta na ducha.

Em relação à segurança, Delbone esclarece que, embora misturar água e eletricidade pareça perigoso, o risco é inexistente se o chuveiro for instalado seguindo todas as recomendações. Ele detalha que o aparelho deve ser conectado em 110 V ou 220 V (fase e fase ou fase e neutro), mas é crucial a presença de um terceiro fio, o fio terra, que deve estar conectado ao sistema de aterramento da residência para eliminar qualquer perigo.

Outra peculiaridade do chuveiro brasileiro é seu alto consumo de energia. Dados oficiais e levantamentos do setor elétrico realizados entre 2025 e 2026 indicam que ele pode consumir entre 25% e 35% da eletricidade total utilizada em uma casa no Brasil. O especialista justifica esse alto consumo pela elevada potência, que varia de 4.500 W a 7.800 W, sendo superior ao consumo de ar-condicionado, geladeira, máquina de lavar e ferro elétrico.

Para promover a economia de energia, Delbone oferece uma dica prática: o gasto energético está diretamente ligado ao tempo de uso. Portanto, tomar um banho com duração máxima de dez minutos contribui significativamente para a economia.

Popular