O artista e pintor iraniano Sirous Mokkadam declarou que sua profunda ligação pessoal com o sul do Irã e o encontro com as famílias das vítimas da escola em Minab o inspiraram a criar a pintura 'Túmulo Vazio'. Esta obra é dedicada às crianças mortas no trágico ataque à escola na cidade sul de Minab.
Em uma entrevista ao Tehran Times, Mokkadam falou sobre a motivação para criar a obra no contexto da abertura da exposição coletiva 'Escola de Minab'. Esta exposição reúne trabalhos de vários artistas visuais modernos iranianos renomados que reagiram à tragédia.
A exposição foi inaugurada na sexta-feira, 28 de agosto, na Art Bureau em Teerã. O Instituto de Cultura e Arte Nam foi o organizador. A exposição apresenta obras criadas voluntariamente por artistas iranianos que buscam preservar a memória das crianças e professores que perderam suas vidas no ataque.
Mokkadam expressou seu orgulho por ter podido participar deste encontro e apresentar a pintura 'Túmulo Vazio' na exposição. Ele relembrou que, após a tragédia, os artistas começaram a trabalhar na organização de uma exposição coletiva, e a oportunidade de participar deste projeto teve um significado especial para ele.
O artista destacou que possui vários tipos de ligação pessoal, mas a mais significativa é sua origem nas regiões sul do país. Sua conexão com as vítimas se tornou mais pessoal após conhecer a família de Makan Nasiri, uma criança de sete anos que estava desaparecida como mártir.
'Quando conheci a família de Makan e vi sua dor e luto, considerei meu dever', disse ele. Um encontro posterior com as famílias das vítimas de Minab em Mashhad moldou ainda mais sua abordagem sobre o tema. Mokkadam explicou que, após este encontro, decidiu criar uma obra mais específica, e a ideia da pintura do túmulo vazio permaneceu em sua mente.
Para Mokkadam, o túmulo vazio é uma poderosa imagem da ausência. Em vez de retratar o momento do ataque, a pintura foca no que resta depois dele — o espaço que deveria ter sido ocupado pela vida de uma criança interrompida prematuramente. A escolha deste tema também reflete o objetivo mais amplo da exposição 'Escola de Minab': transformar uma tragédia individual em uma crônica visual de longo prazo.
A exposição foi organizada após o ataque de 28 de fevereiro à Escola Primária Shajareh Tayebe em Minab, província de Hormozgan. O ataque ocorreu no início do dia letivo, resultando na morte e ferimento de muitas pessoas. De acordo com as autoridades iranianas, o número final de mortos foi de 168 pessoas, e pelo menos 95 ficaram feridos. As vítimas foram crianças e professores, tornando este incidente um dos episódios mais devastadores do conflito iniciado naquele dia.
A tragédia se tornou um tema importante para a memória no Irã, e os artistas recorrem à pintura e a outras formas de expressão visual para preservar a memória das vítimas. Na inauguração da exposição, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghi, chamou os alunos mortos de símbolos de heroísmo para o povo iraniano e enfatizou que este incidente não seria esquecido ou perdoado. Ele também observou a capacidade da arte de preservar eventos históricos e transmitir mensagens de maneiras inacessíveis a discursos e declarações escritas.
Araghi declarou na inauguração que 'as obras são documentos da legitimidade e do sofrimento do povo iraniano e das crianças que foram intencionalmente e injustamente atacadas nesta guerra'. A pintura 'Túmulo Vazio' de Mokkadam está entre as obras que abordam a tragédia não apenas como um evento histórico, mas como uma experiência emocional para as famílias das vítimas e toda a sociedade.
A exposição inclui obras de muitos artistas iranianos reconhecidos, entre eles Behzad Shisegaran, Golam Ali Taheri, Morteza Asadi, Kazem Chalipa, Ali Nedai, Hassan Yaquti, Abdolhamid Ghadirian, Mostafa Gudarzi, Nasser Saifi, Jamshid Hakikatshenas, Seyed Masoud Shojai Tabatabai, Kamyar Sadeghi, Seyed Ali Mirfatta, Mahyar Charmchi, Mostafa Korbani, Hossein Einibakhsh e Mohammad Ali Naderi, além de Mokkadam. O caráter coletivo da exposição é importante, pois os artistas participaram voluntariamente, buscando iluminar a tragédia através de diferentes linguagens visuais. Enquanto algumas obras lembram diretamente as vítimas, outras usam metáfora, simbolismo e abstração para explorar a perda, o luto e a memória.
Assim, a exposição funciona como um memorial e como uma resposta artística à tragédia. Os organizadores buscaram garantir a preservação da memória das vítimas por meio da arte iraniana contemporânea. Autoridades também enfatizaram o papel da arte na preservação da memória das vítimas de Minab. Araghi observou que a pintura, o cinema, a poesia e a música podem transmitir mensagens que nem sempre podem ser totalmente comunicadas por meio de declarações diplomáticas ou discursos tradicionais. Ele expressou a esperança de que a exposição possa ser apresentada em outros países, para que o público internacional possa saber sobre as crianças iranianas mortas no ataque.
A exposição 'Escola de Minab' será exibida na Art Bureau em Teerã até 22 de setembro, dando aos visitantes a oportunidade de conhecer várias interpretações da tragédia e das vidas perdidas.
Em 28 de fevereiro, a escola de meninas Shajareh Tayebe em Minab, província de Hormozgan, tornou-se o local de um massacre devastador quando os Estados Unidos e Israel iniciaram seus ataques contra o Irã. Enquanto dezenas de meninas e meninos de 7 a 12 anos começavam as aulas, a escola foi atingida por um míssil, fazendo com que o prédio desmoronasse, soterrando crianças e professores sob os escombros. As autoridades iranianas confirmaram o número final de mortos — 168 pessoas, e pelo menos 95 ficaram feridos, o que constituiu um dos incidentes mais terríveis no início do conflito.
Apesar das tentativas das autoridades dos EUA e de Israel de se distanciar do massacre, enquanto imagens da tragédia eram disseminadas nas redes sociais, investigações forenses detalhadas e digitais apresentaram um quadro completamente diferente. Uma análise realizada pela unidade de investigação digital da Al Jazeera, usando imagens de satélite de mais de uma década e clipes de vídeo recentes, mostrou que a escola era um objeto civil claramente separado de quaisquer instalações militares vizinhas há pelo menos dez anos. Além disso, depoimentos e análise de satélite confirmaram que a escola sofreu três ataques separados e direcionados, o que não deixa dúvidas sobre a natureza do ataque.
A comunidade internacional enfrentou um número crescente de evidências sobre a responsabilidade por essa crueldade. Investigações de publicações mundiais líderes, incluindo The New York Times, BBC Verify, CBC e NPR, concluíram que os Estados Unidos são responsáveis pelo ataque. Essas conclusões levantaram questões fundamentais sobre a informação usada para justificar o bombardeio, pois os padrões de ataque indicam uma ação direta e intencional contra uma instituição educacional civil. A tragédia na Escola de Minab agora serve como um sombrio testemunho do enorme custo humano da agressão e um foco para aqueles que exigem responsabilização internacional.
