No cinema IMS, em São Paulo, Brasil, está sendo exibida uma retrospectiva da obra do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, reconhecido como uma das figuras mais proeminentes do cinema mundial. De acordo com a ILNA, a exposição abrange cinco décadas de sua atividade criativa e pensamento cinematográfico contínuo, desde os primeiros curtas-metragens filmados no Instituto de Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Adolescentes (Kanoon) até os longas-metragens que lhe renderam fama internacional.
Até 27 de setembro, os espectadores poderão assistir seus filmes curtos, médios e longos em cópias restauradas em 2K. Esta é uma rara oportunidade de se familiarizar completamente com a poética e a prática do artista que expandiu as fronteiras da imagem em movimento do Irã para o mundo inteiro.
A programação inclui obras icônicas
O programa de exibições inclui filmes como 'Pão e Beco' (1970), o primeiro curta-metragem do diretor, e seu último longa-metragem '24 Frames', lançado postumamente em 2017. Entre as obras apresentadas estão a famosa trilogia Coker, que inclui 'Onde Está a Casa do Meu Amigo?', 'Vida e Nada Mais' e 'Através das Oliveiras'; o filme 'Close-Up', que ajudou a atrair a atenção do mundo para sua obra; e 'Sabor de Cereja', que ganhou um Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes em 1997.
Abbas Kiarostami (1940–2016) foi um diretor, roteirista, poeta, fotógrafo e produtor iraniano. Trabalhando ativamente no cinema desde 1970, Kiarostami participou da produção de mais de 40 filmes, incluindo documentários e curtas-metragens.
Em projetos posteriores, como 'Cópia Certificada' (2010) e 'Como Alguém Está Apaixonado' (2012), ele filmou fora do Irã pela primeira vez — na Itália e no Japão, respectivamente.
Reconhecimento e influência
Os filmes de Kiarostami 'Onde Está a Casa do Amigo?' (1987), 'Close-Up' e 'O Vento Nos Levará' entraram na lista dos 100 melhores filmes estrangeiros, segundo uma pesquisa da BBC Culture em 2018. Além disso, 'Close-Up' foi incluído na lista dos 50 maiores filmes de todos os tempos na conhecida pesquisa decenal do Sight & Sound, realizada em 2012. Ele é considerado um dos cineastas mais influentes e grandes do Irã e do mundo.
Kiarostami trabalhou extensivamente como roteirista, editor, diretor de fotografia e produtor, além de se dedicar ao desenvolvimento de créditos e materiais publicitários. Além disso, ele era poeta, fotógrafo, pintor, ilustrador e designer gráfico. Ele fez parte da geração de cineastas da Nova Onda Iraniana — um movimento do cinema persa que começou no final dos anos 1960, enfatizando o uso de diálogo poético e narrativa alegórica que abordava temas políticos e filosóficos.
Kiarostami era conhecido pelo uso de personagens infantis, narrativas de estilo documental, histórias ambientadas em aldeias rurais, bem como diálogos ocorrendo dentro de carros usando câmeras fixas. Ele também é conhecido por aplicar a poesia persa nos diálogos, títulos e temas de seus filmes. Os filmes de Kiarostami são caracterizados por um notável grau de ambiguidade, uma combinação incomum de simplicidade e complexidade, e frequentemente uma mistura de elementos ficcionais e documentais. Conceitos de mudança e continuidade, juntamente com os temas de vida e morte, desempenham um papel fundamental em seu trabalho.
