O Parlamento do Nepal aprovou uma proposta que classifica as alterações climáticas como uma ameaça à segurança. Esta iniciativa foi apresentada pelo presidente da câmara, Dol Prasad Aryal, e solicita ao Governo que estabeleça a posição do Nepal no cenário internacional diante dos riscos crescentes que a região enfrenta, visando prevenir futuros desastres.
A proposta enfatiza que o Nepal precisa expressar sua opinião de maneira mais forte e clara nos debates globais sobre os prejuízos e perdas decorrentes das mudanças climáticas, pedindo ao governo que trate o assunto com maior determinação.
O documento aponta que o Nepal é altamente suscetível a calamidades, sendo vulnerável tanto a eventos naturais quanto aos causados pelo ser humano. Ele detalha que a combinação da diversidade geográfica, estrutura geológica frágil, desenvolvimento inadequado e arriscado, infraestrutura precária, escassez de recursos e as próprias alterações climáticas contribuiu para a ocorrência recorrente de diversos desastres.
Segundo o parlamento, mais de 500 desastres acontecem anualmente no Nepal, resultando em perdas significativas de vidas e bens. Aryal ressaltou que, embora os impactos das mudanças climáticas sejam discutidos há décadas, as transformações observadas no Himalaia demandam uma atenção internacional mais intensa.
Adicionalmente, o texto sugere uma transição na abordagem de resposta a desastres, passando do foco reativo para a prevenção. Isso se justifica pelo recente desastre, que demonstrou a urgência de fortalecer os mecanismos de alerta precoce e monitoramento.
O primeiro-ministro nepalês, Balendra Shah, compareceu perante os deputados para alertar que a crise recente no distrito de Rasuwa, no norte, causada por um deslizamento de rochas e neve no rio Bhote Koshi, representa o pior evento desse tipo registrado historicamente na área. Shah declarou que este acontecimento serve como um sério aviso sobre o risco em ascensão.
O chefe de governo frisou que o Nepal não pode lidar com essa crise isoladamente e anunciou que irá exigir que a comunidade internacional participe de uma «responsabilidade partilhada» global para ajudar a diminuir o impacto climático.
Os dados mais recentes das autoridades de gestão de emergências do Nepal indicam que as inundações resultaram em 1.114 mortes e deixaram 3.916 pessoas desaparecidas. Em paralelo, a imprensa estatal chinesa reportou 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete, elevando o total provisório de vítimas nos dois países para 1.130 mortos e 4.462 desaparecidos.
Em relação aos desaparecidos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa confirmou que três cidadãos portugueses estão entre aqueles desaparecidos no Nepal. No lado chinês, um cidadão português também figura entre os desaparecidos no Tibete, conforme uma lista anterior divulgada pelas autoridades chinesas que abrangia 261 nacionais de 23 países.
As equipes de busca e resgate continuam atuando nas áreas atingidas, após a restauração das comunicações permitir que as autoridades obtenham informações sobre comunidades que ficaram isoladas por vários dias.
