Discussão sobre tarifas de uso de água bruta na África do Sul: consulta ou apenas informação?
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Discussão sobre tarifas de uso de água bruta na África do Sul: consulta ou apenas informação?

Em face da crescente escassez de recursos hídricos, surge uma questão fundamental: como consultas completas podem mudar a abordagem à gestão de recursos? Um funcionário do Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento (DWS) observou que as recentes discussões sobre as tarifas propostas para o uso de água bruta no ano fiscal de 2027/28 fizeram refletir sobre o verdadeiro significado das consultas.

Embora a base legislativa e política, incluindo a Lei da Água de 1998, a Lei de Gestão de Finanças Públicas e a Estratégia de Precificação de Água Bruta, obrigue o DWS a realizar consultas com os usuários de água, o autor enfatizou que a consulta não deve se resumir ao cumprimento formal dos requisitos legais. Para ele, a consulta ganha sentido quando as pessoas sentem que tiveram a oportunidade de se expressar, fazer perguntas, discordar e ser ouvidas.

O autor teve a honra de apresentar a consulta setorial em Pretoria e a reunião nacional em Joanesburgo em agosto de 2026. Antes disso, colegas do DWS realizaram consultas nas províncias correspondentes, abrangendo partes interessadas em todo o país.

Participantes da discussão nacional

O mais notável foi a diversidade de participantes reunidos em torno de um recurso vital — a água. A discussão nacional contou com representantes de organizações como a Trans-Caledon Tunnel Authority, Sasol, Rand Water, uMngeni-uThukela Water, Forestry South Africa, Crocodile River Irrigation Board e South African Association for Water User Associations.

Enquanto a consulta setorial permitiu que os usuários de água avaliassem criticamente as tarifas propostas e apresentassem suas sugestões, a reunião nacional deu ao Departamento a oportunidade de apresentar os resultados desses encontros e fornecer feedback sobre a análise econômica. Além disso, o Departamento apresentou as tarifas finais propostas para o uso de água bruta, que serão encaminhadas ao Ministro dos Recursos Hídricos e Saneamento.

O autor reconhece que o acordo total de todos os participantes é impossível e considera que os desacordos são uma parte valiosa do processo de consulta. É importante ter um fórum onde diferentes pontos de vista possam ser expressos e considerados.

Essa experiência ajudou o autor, que trabalha como comunicador, a entender melhor que a habilidade de ouvir é tão importante quanto a habilidade de falar. Muitas vezes, a atenção está focada na transmissão de informações — explicar as ações do governo e os motivos de sua adoção. No entanto, a comunicação não é um processo unilateral; ela também deve criar oportunidades para feedback por parte das pessoas.

Neste contexto, a colaboração ganha importância. A gestão sustentável dos recursos hídricos exige que o governo e os usuários de água reconheçam seu envolvimento comum neste diálogo. Agricultores, municípios, empresas industriais, mineradoras, serviços públicos e outras partes interessadas podem ter interesses diferentes, mas todos estão interessados em como a África do Sul gerencia suas reservas hídricas limitadas.

As consultas lembraram que, embora a legislação possa exigir um processo específico, é a qualidade da interação que dá verdadeiro significado a esse processo. Como funcionário do DWS, o autor encontrou nesta observação um encorajamento.

As tarifas propostas para água bruta para o ano fiscal de 2027/28 avançam para a próxima fase, e as taxas recomendadas serão apresentadas ao Ministro para consideração e aprovação. Independentemente do resultado final, o autor acredita que a possibilidade de participar do diálogo, ouvir e trocar opiniões tornou-se uma parte importante de todo o caminho.

Refletindo sobre as consultas, o autor concluiu: exigir consulta é seguir a lei, mas escolher ouvir é compreender as pessoas afetadas por essa decisão. É aqui, na opinião do autor, que começa a consulta substancial. Ele conclui que a gestão sustentável dos recursos hídricos não pode ser alcançada através de uma voz única; requer conversa e, o mais importante, disposição para ouvir uns aos outros.

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