Uma mulher de Gauteng, que acreditava ter recebido um cargo de professora de alvenaria em uma escola especial, perdeu seu processo por demissão injusta. Isso ocorreu depois que o árbitro do Conselho de Relações Trabalhistas na Educação (ELRC) determinou que ela nunca havia sido contratada pelo Departamento de Educação de Gauteng, portanto, não poderiam demiti-la.
O árbitro Monde Boyce estabeleceu que N Makobe não conseguiu provar a existência de um vínculo empregatício entre ela e o departamento.
Como surgiu a disputa
O conflito começou depois que Makobe se candidatou a uma vaga de professora de alvenaria na Escola Especial Bosele, em Krugersdorp. De acordo com seu depoimento, ela preencheu seu perfil no site de professores desempregados de Gauteng em janeiro de 2026, tendo concluído seu diploma avançado em formação técnica e profissional em dezembro de 2025. Em seguida, ela se candidatou a várias vagas de professor e respondeu ao anúncio de vaga de alvenaria na Escola Especial Bosele.
Ela foi convidada para uma entrevista em 5 de março de 2026, onde foi questionada pelo diretor da escola, Sr. Thage, e membros do Conselho de Gestão Escolar (SGB). Makobe informou ao árbitro que havia revelado suas qualificações aos membros do comitê e os havia notificado de que não havia concluído o Certificado de Educação Continuada (PGCE).
Após a entrevista, um membro do SGB ligou para ela e a parabenizou por passar com sucesso na seleção. Em seguida, ela foi solicitada a retornar à escola.
Mudança e início do trabalho
Makobe testemunhou que, ao retornar à escola, lhe foi entregue um documento para assinatura, e o diretor informou que ela poderia começar a trabalhar no dia seguinte. Como o prazo de aviso parecia muito curto para ela, ela solicitou começar a trabalhar em 9 de março de 2026. Ela relatou que alugou um caminhão e um ajudante para transportar móveis para Krugersdorp, deu um depósito de aluguel e começou suas funções em 9 de março.
Ela trabalhou em 10 de março e estava entre os educadores designados a comparecer ao escritório distrital para coleta de impressões digitais. No entanto, no dia seguinte, o diretor supostamente informou-lhe que o escritório distrital havia dito que ela não poderia ser contratada porque não possuía PGCE. Makobe então foi ao escritório distrital, onde um funcionário do RH supostamente lhe disse que ela não atendia aos requisitos para esse cargo devido às suas qualificações.
Departamento contesta a nomeação
O Departamento levantou uma questão preliminar no tribunal arbitral, alegando que Makobe não foi demitida, pois nunca havia sido contratada por ele. A testemunha do Departamento de Recursos Humanos, assistente do diretor de RH Emily Mochola, explicou o processo de contratação e nomeação para cargos na escola. Ela esclareceu que as vagas são publicadas através do banco de dados de professores desempregados do departamento depois que a escola notifica o RH sobre a disponibilidade da vaga. Após receber as candidaturas, os candidatos são selecionados e as recomendações são enviadas ao escritório distrital para garantia de qualidade. Somente após a aprovação das recomendações é emitida a carta de nomeação, e o responsável pela aprovação das nomeações é o diretor do distrito.
Inadequação de qualificação
O Departamento também contestou a qualificação de Makobe para o cargo. Mochola testemunhou que o registro acadêmico de Makobe mostrava 108 créditos, enquanto o requisito mínimo para PGCE era de 180 créditos. Ela também afirmou que a qualificação obtida por Makobe na STADIO permitia que ela lecionasse em um colégio TVET, e não em uma escola de ensino básico. O Departamento citou as Medidas Administrativas de Pessoal (PAM), que estabeleciam os requisitos mínimos para nomeação em cargos de professor em escolas. O árbitro também observou que Makobe mesma admitiu não ter concluído o PGCE, que lhe permitiria lecionar em escolas pertencentes ao Departamento de Ensino Básico.
Documento assinado pelas partes não é carta de nomeação
O ponto chave do caso foi o documento que Makobe considerava seu contrato de trabalho. Boyce determinou que, na verdade, era um formulário GDE que ela preencheu na escola e que foi assinado pelo diretor e pelo presidente do SGB. Este não era o documento final de nomeação necessário para estabelecer um vínculo empregatício. O árbitro descobriu que o formulário ainda exigia a assinatura do RH do distrito e do diretor do distrito, que tinha autoridade para aprovar nomeações. Nenhum deles o assinou. Boyce concluiu que o documento representava apenas uma etapa do processo de contratação e não constituía uma nomeação.
Árbitro não encontrou demissão
Boyce declarou que Makobe tinha o ônus legal de provar que havia sido demitida. De acordo com a Lei de Relações de Trabalho, a existência de uma demissão deve ser estabelecida antes que o ônus passe para o empregador justificar a demissão. O árbitro determinou que Makobe não cumpriu esse ônus. Apesar de ter sido entrevistada, ter sido informada de sucesso e ter sido autorizada a comparecer à escola, esses eventos não provavam que ela havia sido nomeada pelo Departamento de Educação de Gauteng. Boyce observou que as evidências objetivas mostravam que ela não atendia aos requisitos para o cargo e que o processo de nomeação necessário não havia sido concluído. O árbitro concluiu que 'a demissão não poderia existir', visto que Makobe nunca foi funcionária do departamento.
ELRC não pode intervir
Boyce também afirmou que o ELRC, assim como o CCMA, é uma criação da lei e não pode exercer jurisdição onde não existe. Ele concluiu que o fato de o diretor e o SGB terem entrevistado Makobe e a informado de seu sucesso não estabelecia um vínculo empregatício, pois eles não tinham autoridade para nomear professores. Seu papel era fornecer recomendações, enquanto a nomeação final deveria ser aprovada pelo órgão departamental competente. Em última análise, Boyce decidiu que Makobe não foi demitida e que o ELRC não tinha jurisdição para julgar sua disputa.
