Uma nova pesquisa indica que muitos pais na África do Sul têm dificuldades em iniciar conversas com seus filhos pequenos sobre o período do apartheid; a maioria deles afirma que só discute este tema quando as crianças fazem perguntas.
Mais de três décadas após o fim do apartheid, as famílias sul-africanas continuam a descobrir como falar com os filhos sobre o trauma intergeracional desse regime.
Um estudo conjunto realizado por cientistas da Universidade do Cabo Ocidental (UWC), da Universidade Estadual Livre e da Universidade de Missouri nos EUA descobriu que muitos pais não iniciam conversas sobre o apartheid e seu impacto psicológico. Em vez disso, eles frequentemente esperam que as crianças levantem o assunto sozinhas, ou depois de se depararem com ele na escola, na mídia ou através de experiências pessoais de racismo.
O estudo, publicado no Journal of Family Communication, investigou como pais de quatro grupos raciais classificados durante o apartheid — negros, brancos, coloridos e indianos — discutem a dolorosa história do país com seus filhos. Vinte e dois pais foram entrevistados no âmbito da pesquisa.
O Legado do Apartheid
Os pesquisadores observaram que o legado do apartheid continua a moldar a sociedade sul-africana, e suas consequências traumáticas podem ter um impacto duradouro no estado mental, físico e interpessoal por gerações, incluindo estresse, ansiedade, incerteza e disfunção familiar.
O estudo identificou quatro abordagens principais utilizadas pelos pais: reação, empoderamento, proteção e reconhecimento do progresso. Os pais que adotaram uma abordagem reativa geralmente esperavam perguntas das crianças ou tópicos que elas aprenderam ou vivenciaram. Essas conversas muitas vezes ocorriam espontaneamente e dependiam da idade e do nível de compreensão da criança.
A abordagem focada no empoderamento envolvia educar as crianças sobre a injustiça e as violações relacionadas ao apartheid para promover o desenvolvimento da empatia, do respeito à diversidade e do compromisso com uma sociedade mais igualitária. Os pais compartilhavam experiências familiares e fatos históricos na esperança de que seus filhos aprendessem com o passado.
Alguns pais optaram por uma abordagem protetora, limitando as informações que forneciam às crianças para protegê-las da dor emocional associada ao apartheid. Em alguns casos, os pais adiaram as discussões até considerarem seus filhos maduros o suficiente para entender o assunto.
A maioria dos pais também enfatizou o reconhecimento do progresso alcançado, reconhecendo o impacto persistente do apartheid, mas ao mesmo tempo encorajando as crianças a valorizar o quanto a África do Sul avançou desde a democratização.
O Papel da Família no Processo
Os pesquisadores destacaram que as conversas familiares desempenham um papel importante na formação da compreensão de identidade, raça, justiça e pertencimento na nova geração. Eles sugeriram que contar histórias pode ajudar as famílias a conduzir discussões honestas e apropriadas para a idade, que reconheçam a experiência dolorosa, ao mesmo tempo que promovem a esperança e a compaixão.
Tais conversas também podem ajudar os jovens a aprender com os erros do passado e contribuir para um futuro mais inclusivo.
