Durante uma série de partidas entre as equipes All Blacks e Springboks, observa-se uma mudança notável no comportamento dos All Blacks, que, na opinião do autor, substituíram a tradição de autoridade do rugby por uma cultura de reclamações constantes e cinismo.
Essa transição é especialmente evidente na reação da equipe All Blacks ao domínio dos Springboks na disputa pelo scrum. Incapazes de resistir ao poderoso jogo da África do Sul no ataque, os All Blacks começaram a reclamar de suposta técnica ilegal de scrumming por parte dos Springboks, algo que, no entanto, não foi notado por nenhum árbitro ou treinador de outros países nos últimos sete anos.
Em vez de corrigir suas próprias deficiências técnicas, seu círculo utilizou os resultados dos dois primeiros jogos de teste para conduzir uma campanha midiática direcionada, visando influenciar os árbitros oficiais. Liderando este movimento está o técnico principal Dave Rennie, cujas declarações pós-jogo se transformaram em uma campanha pública para difamar os adversários.
A situação se agravou antes mesmo do primeiro teste, quando Rennie acusou os Springboks de tentar desacelerar o jogo antes do impacto, em Ellis Park. Acusando a equipe de Rassi Erasmus de 'contornar' ilegalmente a marca para obter um pênalti, Rennie tentou criar uma narrativa pré-determinada para os árbitros. Isso foi visível quando o árbitro australiano Angus Gardner dedicou muito tempo ao controle dos Springboks durante os scrums no segundo teste, ignorando como os All Blacks derrubaram os scrums várias vezes naquela noite.
O autor considera essa tática uma tentativa desesperada de vencer a série, evitando o confronto direto. Quando analistas e fãs de mídia tentavam examinar detalhadamente a posição da cabeça de Ox Nche em um dos scrums em Cidade do Cabo, o ex-jogador inglês Joe Maller resumiu a frustração do resto do mundo com Rennie e seus seguidores nas redes sociais, dizendo apenas quatro palavras: 'Not a clue x.'
Além disso, os All Blacks recorreram a faltas menores, tentando desequilibrar os Springboks e forçá-los a jogar contra um jogador em vez de contra a bola. Enquanto Gardner estava focado nas teorias de Rennie sobre os scrums, ele deixou passar muitos altos chutes nos jogadores dos Springboks, incluindo um golpe de ombro no rosto de Damian de Allende. No entanto, segundo podcasters e mídia neozelandeses, o próprio De Allende aceitou essa postura.
Em Cidade do Cabo, quando o rugby não ajudava, os All Blacks recorreram ao cinismo. Sob a liderança de jogadores como Fabian Holland e Luke Jakobson, a abordagem da Nova Zelândia tornou-se notavelmente suja. Foram utilizados tackles tardios após a bola, entradas cínicas pelas laterais e pequenos empurrões fora de jogo para perturbar o ritmo dos Springboks.
Desapareceu a precisão clínica implacável dos antigos All Blacks; em seu lugar, surgiu uma equipe que recorre a truques baratos quando a situação esquenta. Essa mentalidade de 'golpes baratos' é um sinal claro de uma equipe que sente pressão. Antes do início da série, eles sabiam que deveriam vencer os dois primeiros jogos, pois a superioridade dos Springboks na profundidade do elenco começaria a aparecer nos terceiro e quarto testes.
Durante meio século, a África do Sul ocupa o topo do rugby mundial, vencendo campeonatos mundiais consecutivamente e se estabelecendo como o padrão do rugby físico nos jogos de teste. Antigamente, os All Blacks lidavam com esse desafio graças à maestria e disciplina férrea. Agora, eles reagem a isso com reclamações aos árbitros e atitudes fora de jogo.
Rassi tentou proteger sua equipe das atitudes de Rennie, embora ele próprio às vezes estivesse envolvido nessa competição de sujeira com seu colega neozelandês. À medida que a série se aproxima do FNB Stadium em Soweto para o decisivo terceiro teste, as conversas devem cessar. Rennie e sua equipe criaram desculpas para si mesmos. Agora é hora de Siya Kolisi e os Springboks Erasmus fazerem o que fazem de melhor: infligir uma derrota física tão esmagadora que nenhuma lamentação pós-jogo poderá esconder.



