O Senado aprovou o Projeto de Lei 278/2026 na terça-feira (dia 1), que estabelece um regime de incentivo para empresas que realizam instalação ou expansão de centros de processamento de dados (data centers) no Brasil. Este documento, anteriormente aprovado pela Câmara dos Deputados em fevereiro, estava paralisado entre os senadores e agora segue para sanção presidencial.
A proposta foi desbloqueada após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), na semana passada. O senador Cid Gomes (PSB/CE) foi nomeado relator sobre o tema no Senado.
Para acelerar a implementação dessa medida, Cid Gomes manteve a essência do texto aprovado pela Câmara, que estava sob responsabilidade do deputado Aginaldo Ribeiro (PP/PB), fazendo apenas ajustes editoriais. Como a Câmara já havia aprovado a proposta, as alterações não exigem nova votação dos deputados.
O projeto cria o chamado Redata, um regime que prevê a suspensão e posterior redução das alíquotas de impostos para zero sobre equipamentos e produtos de tecnologia da informação e comunicação utilizados na instalação ou expansão de data centers. Entre os impostos incluídos estão o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto de Importação e o PIS/Cofins. O texto também prevê a redução do imposto de importação caso não haja produção nacional equivalente.
Essa medida visa estimular a instalação de data centers no país — estruturas consideradas estratégicas para o desenvolvimento de tecnologias como inteligência artificial (IA), computação em nuvem, computação de alto desempenho e outras. Para obter os benefícios, as empresas gestoras dos data centers devem garantir toda a energia necessária para suas operações por meio de contratos de fornecimento ou produção própria, proveniente de fontes renováveis ou de baixa emissão.
A inclusão da expressão 'baixa emissão' pelos senadores permite que as empresas também celebrem contratos de energia gerada a partir de gás natural. Este requisito é uma das condições para a acreditação das empresas no âmbito do Redata.
Saiba mais:
Ceará, estado que é berço político tanto do relator Cid Gomes quanto do deputado José Gimaraes (PT/CE), autor da proposta na Câmara, possui projetos de data centers em fase de implementação. Um deles está em Caucaia e deverá demandar energia equivalente ao consumo de aproximadamente 4,5 milhões de domicílios. José Gimaraes utilizou no projeto o texto de um decreto provisório que entrou em vigor no ano passado, mas perdeu sua validade em 25 de fevereiro.
Espera-se que os incentivos fiscais reduzam os custos de instalação e expansão desses empreendimentos, além de fomentar novos investimentos no setor de data centers no país.
