No último domingo, dia 30 de agosto, a NASA colocou em órbita o telescópio Nancy Grace Roman, conhecido simplesmente como Roman, que representa o mais recente observatório espacial da agência americana. Este lançamento ocorreu no Centro Espacial Kennedy, nos Estados Unidos, utilizando o foguete Falcon Heavy da SpaceX, que estava equipado com 27 motores.
Atualmente, o Roman está seguindo em direção ao ponto Lagrange 2, situado a 1,6 milhão de quilômetros da Terra, e deverá alcançar este local em poucas semanas. Uma vez lá, ele passará por fases de testes e ajustes antes de começar oficialmente suas observações.
Os telescópios espaciais desempenham a função crucial de monitorar o Universo em busca de diversos elementos, incluindo planetas, estrelas, galáxias, buracos negros, energia escura e outras entidades celestes distantes. Esses instrumentos funcionam continuamente, 24 horas por dia, sendo vitais para o progresso científico e a obtenção de dados espaciais.
Historicamente, o primeiro equipamento desse tipo da NASA foi o telescópio Hubble, enviado ao espaço na década de 1990. Mais recentemente, em 2021, a agência lançou o telescópio espacial James Webb, especializado em observação de grandes distâncias, conseguindo analisar áreas pequenas do céu com alta precisão e também estando posicionado no ponto de Lagrange 2.
Contudo, desde 2016, a NASA dedicava esforços ao desenvolvimento do Roman, um telescópio espacial cujo diferencial reside na área que ele consegue observar. O propósito do Roman é coletar dados de uma extensão muito maior do Espaço simultaneamente. Embora ele consiga estudar milhões de objetos ao mesmo tempo, sua precisão será inferior à do Webb.
Após anos de desenvolvimento e um investimento superior a R$ 22 bilhões, o instrumento foi finalmente colocado em órbita. Sua função principal é identificar locais de interesse que, posteriormente, poderão ser examinados com maior detalhe e exatidão por outros observatórios espaciais. Assim, o Roman atuará em colaboração com outros instrumentos, sem substituir nenhum deles.
Em um comunicado, a NASA afirmou que o telescópio Roman observará bilhões de estrelas e galáxias com um campo de visão significativamente maior que o do Hubble, auxiliando os cientistas no estudo da energia escura, dos exoplanetas e da evolução cósmica.
A câmera do Roman, denominada Wide Field Instrument, apresenta um campo de visão aproximadamente cem vezes maior que o do Hubble e conta com 300 megapixels. Adicionalmente, ela incorpora uma tecnologia que permite bloquear a luz estelar, facilitando a visualização de exoplanetas e galáxias com menor interferência. O telescópio possui um peso superior a 10 toneladas e mede cerca de 13 metros de altura. Estima-se que ele permanecerá no espaço por aproximadamente dez anos, sendo que sua primeira missão terá uma duração prevista de cerca de cinco anos, durante a qual mapeará uma área cinquenta vezes maior que aquela observada pelo Hubble em três décadas.
O nome Nancy Grace Roman é uma homenagem à primeira chefe de astronomia da NASA, conhecida como a «mãe do Hubble». Além de seu nome, a nave carrega um cartão de memória contendo os nomes de mais de um milhão de pessoas que se inscreveram pela internet.
