A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou preocupação devido à ausência de informações sobre um material nuclear e ao acesso restrito às instalações necessárias para sua verificação, o que levanta questões sobre proliferação nuclear.
A AIEA não conseguiu acessar as principais instalações nucleares localizadas em Fordo, Natanz e Isfahan desde a guerra de doze dias, que foi deflagrada por Israel com o apoio dos Estados Unidos em junho de 2025, e que atingiu essas localidades. Desde o início do conflito com Washington, ocorrido em 28 de fevereiro, as instalações nucleares também foram alvos de ataques.
O organismo internacional reconheceu que os ataques militares direcionados a instalações nucleares no Irã geraram uma «situação sem precedentes». Simultaneamente, a AIEA enfatizou a importância de os inspetores poderem verificar as atividades no Irã o mais breve possível, conforme estipulado no acordo de salvaguardas sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), assinado pelo Irã há décadas.
Rafael Grossi, diretor-geral da AIEA, reiterou a crença de que os problemas crônicos e as crises recorrentes relacionadas a estas questões devem ser solucionadas por meio de um acordo diplomático duradouro e passível de verificação, segundo o relatório.
Antes dos ataques de junho de 2025, a AIEA havia estimado que o total das reservas iranianas de urânio enriquecido a 60% — um nível próximo dos 90% necessário para a fabricação de uma arma nuclear — somava 440,9 quilogramas, representando um aumento de 32,3 kg em comparação com os dados de 17 de maio do mesmo ano. O destino deste estoque permanece desconhecido.
Grossi mencionou em junho que a percepção geral é de que esse estoque permaneceu no local onde estava antes de junho de 2025, nas imediações da fábrica de enriquecimento de combustível em Isfahan. O relatório também apontou que não há conhecimento se o Irã paralisou suas atividades de enriquecimento de urânio, um material de uso duplo, tanto civil quanto militar, que inclui pesquisa e desenvolvimento.
Adicionalmente, os inspetores da AIEA não sabem se o Irã suspendeu todos os processos de reprocessamento de combustível nuclear, nem possuem dados sobre o estado atual das reservas de urânio enriquecido iraniano ou sobre os inventários de centrífugas e outros equipamentos correlatos.
Israel e os Estados Unidos acusam o Irã há muito tempo de buscar desenvolver armamentos nucleares. Por sua vez, Teerão sempre negou tais intenções militares, defendendo seu direito ao uso da tecnologia para fins civis. Uma das condições impostas por Washington para encerrar o conflito com Teerão é que a República Islâmica desista de seu programa nuclear.
