GoPro valoriza após investimento milionário de YouTuber e planos de fusão com empresa de fotônica para IA
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GoPro valoriza após investimento milionário de YouTuber e planos de fusão com empresa de fotônica para IA

A GoPro registrou um aumento significativo em seu valor após o investimento de grande porte feito pelo criador de conteúdo Markiplier e o anúncio de sua incursão em centros de dados de Inteligência Artificial (IA).

Markiplier, cujo nome artístico é Mark Fischbach, tornou-se o maior acionista individual da GoPro, detendo uma participação de 8,5% na fabricante de câmeras. Este percentual passou a ser avaliado em cerca de US$ 20 milhões (equivalente a R$ 108 milhões) devido à forte valorização das ações da companhia nos últimos dois dias.

Este anúncio contribuiu para o impulso nas ações da GoPro, que subiram na segunda-feira (31) e mantiveram a tendência de alta na terça-feira (1). Desde o encerramento da sexta-feira (28), as ações acumularam um crescimento de 173%, alcançando US$ 1,64 (R$ 8,43) durante o pregão de terça-feira.

Em conversa com a Bloomberg, Fischbach justificou seu investimento alegando que a ação estava desvalorizada. Ele declarou: “Eu vi a ação e onde ela estava, e pensei: ‘isso parece subvalorizado’”. Adicionou ainda: “É algo que venho preparando nos bastidores; quero que a empresa tenha sucesso.”

Embora as câmeras da GoPro sejam populares entre produtores de conteúdo, essa preferência não se traduziu em bom desempenho acionário, visto que os papéis da empresa caíram aproximadamente 90% nos últimos cinco anos, tornando-a um alvo recorrente de investidores especulativos.

No entanto, a entrada de Markiplier atraiu o interesse de investidores de varejo. Um usuário no Reddit ressaltou que o movimento ganhou força por vir de um criador com 37 milhões de inscritos que utiliza os produtos da empresa. Outro investidor comentou: “Eu comprei algumas ações nesta manhã por causa da notícia”. Ele acrescentou que, embora não esperasse que a GoPro atingisse seus picos máximos, considera que um patamar estável entre US$ 10 e US$ 11 seria saudável e sustentável.

Um segundo fator que impulsionou as ações foi o comunicado de que a GoPro planeja se unir à Starman Optical, uma empresa especializada em equipamentos de fotônica. Esta transação, avaliada em US$ 285 milhões (R$ 1,53 bilhão), deve abrir novos mercados para a GoPro, abrangendo infraestrutura para IA, defesa, robótica e o setor aeroespacial.

Com a fusão, os transceptores ópticos da Starman Optical integrarão o portfólio da GoPro, expandindo sua presença no mercado de infraestrutura de IA, enquanto a empresa mantém a produção de suas câmeras de ação tradicionais e opera seus serviços de assinatura e nuvem.

Além disso, a GoPro tem intenção de explorar os segmentos de governo e defesa, juntamente com robótica e aeroespacial. A GoPro afirma que a combinação das capacidades de propriedade intelectual, óptica e tecnologia de imagem das duas corporações apoiará essa expansão.

Os acionistas da GoPro receberão US$ 285 milhões (R$ 1,53 bilhão) ao final da operação e manterão cerca de 10% de participação na companhia, que permanecerá listada na bolsa. A dívida atual da GoPro, estimada em US$ 92 milhões (R$ 496 milhões), também será liquidada como parte deste acordo. A conclusão da fusão está sujeita à aprovação dos acionistas, a autorizações regulatórias e ao cumprimento de outras condições, com a GoPro projetando finalizar o negócio até o final de 2026.

A aposta de Markiplier ocorre em um período de reestruturação para a GoPro. A empresa havia alcançado uma avaliação de US$ 4 bilhões (R$ 21,6 bilhões) em seu primeiro dia como companhia aberta, em 2014, mas enfrentou desafios no mercado de ações nos anos subsequentes.

Apesar do otimismo dos investidores de varejo, alguns observam a alta com cautela. Dimitri Semenikhin, trader sediado em Dubai (Emirados Árabes Unidos) e que recentemente aumentou sua participação na Beyond Meat, criticou a valorização da GoPro no X, afirmando que “Os fundamentos, porém, não sustentam nada disso”. Ele apontou que a empresa possui baixo caixa, perdas contínuas significativas e endividamento elevado, apesar de as vendas ainda estarem ocorrendo.

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