Um representante do Conselho de Ministros de Moçambique, Inosensio Impissa, informou após a reunião do órgão em Maputo que o poder executivo aprovou o Regulamento sobre o cultivo de algodão.
Segundo Impissa, a cultura do algodão sofreu uma queda significativa: a produção diminuiu de cerca de 180 mil toneladas em 2011 e 2012 para os atuais 20 mil, o que representa uma redução de aproximadamente 90% e afetou negativamente o emprego no setor.
O governo pretende reverter essa tendência, restaurar a cadeia de produção e aumentar as receitas de exportação de fibra e seus subprodutos. A nova regulamentação estabelece regras para o desenvolvimento, produção, comercialização, transporte, armazenamento, descarga, exportação e importação de algodão, visando melhorar o ambiente regulatório, aumentar a transparência da cadeia de valor e estimular investimentos privados.
Com esta revisão, o governo espera elevar a produção para um nível médio de 60 mil toneladas por ano, o que trará cerca de 65 milhões de dólares (56 milhões de euros) em receitas de exportação. Prevê-se também um aumento nas receitas fiscais em mais de 105 milhões de meticais (1,4 milhão de euros) e a recuperação de cerca de 50% dos empregos perdidos no subsetor.
"Esperamos recuperar a posição de Moçambique na produção de algodão", afirmou o representante, acrescentando que a estratégia inclui a proteção e o aumento do valor dos produtores e empresas envolvidas na cadeia.
Além da regulamentação do algodão, na mesma sessão, o governo aprovou a nova Política Pesqueira e a Estratégia de Implementação para o período de 2026–2045. Esta política visa aumentar a produção e o valor do setor através da gestão sustentável dos recursos, desenvolvimento da aquicultura, melhoria da infraestrutura, bem como reforço da fiscalização e formação.
Atualmente, a pesca representa cerca de 0,5% do PIB de Moçambique, mas, segundo Impissa, pode atingir 1,5% em certos períodos, o que é um indicador baixo em relação ao potencial do país. Cerca de 400 mil famílias dependem desta atividade, que o governo procura fortalecer como fonte de alimentação, emprego, rendimento e receitas de exportação.
Impissa enfatizou a necessidade de criar instrumentos para agregar valor a toda a cadeia, o que naturalmente exige a formação das pessoas que trabalham no setor pesqueiro. Ele defendeu também os princípios da pesca sustentável, melhor controlo e maior supervisão dos recursos e da produção.
Assim, a nova política visa aumentar a contribuição da pesca para a economia e garantir maior acesso ao mercado para consumo, combinando a produção para o mercado interno com o desenvolvimento de produtos de alto rendimento para exportação. O governo informou que o desenvolvimento do documento ocorreu com a participação de várias partes interessadas do setor pesqueiro.
