A Via Láctea absorveu uma galáxia antiga há cerca de 12 bilhões de anos, quando ela estava em estágios iniciais de formação. Atualmente, os astrônomos conseguiram reconstruir esse episódio com mais detalhes, estudando aglomerados estelares que preservaram vestígios desse passado.
No artigo publicado no The Conversation, o astrofísico Sven Buder da Universidade Nacional da Austrália explica como uma nova pesquisa, liderada por Davide Massari, permitiu estimar o tempo da fusão e as características da galáxia absorvida.
As galáxias crescem parcialmente através de fusões. Quando um sistema menor se aproxima de um maior, a gravidade dispersa suas estrelas. No entanto, algumas dessas estrelas continuam a apresentar características que revelam sua origem.
São esses registros que os astrônomos tentam decifrar na Via Láctea. Um exemplo conhecido é o Gaia–Sausage–Enceladus (GSE), que foi resultado de uma grande fusão ocorrida há cerca de 10 bilhões de anos.
A nova pesquisa voltou ainda mais para o passado. Os pesquisadores ligaram este evento a populações estelares anteriormente conhecidas como 'Kraken', 'Heracles' e 'grupo de baixa energia'. A estrutura montada com base nesses dados recebeu o nome de Low-energy–Kraken–Heracles (LKH).
A equipe estudou aglomerados globulares — estruturas capazes de reunir centenas de milhares de estrelas formadas aproximadamente no mesmo período. Observações detalhadas com o Telescópio Espacial Hubble ajudaram a determinar suas idades relativas.
A metalicidade também foi incluída na análise. Este termo indica a presença de elementos mais pesados que hidrogênio e hélio, que são formados e acumulados ao longo das gerações de estrelas.
A comparação dessas informações revelou três sequências distintas. Os autores calcularam que a colisão LKH ocorreu cerca de 1,8 bilhão de anos antes do GSE. A galáxia envolvida na colisão tinha estrelas equivalentes a cerca de 500 milhões de Sóis, correspondendo à massa estelar do GSE. Uma parte significativa desse material acabou nas regiões internas da Via Láctea.
Pesquisas anteriores já apontavam para essa fusão. Mas agora foi possível definir melhor seus prazos e entender mais detalhadamente a história da galáxia envolvida.
Assim, pode-se questionar não apenas quando essas galáxias colidiram, mas também como elas eram e como evoluíram antes disso?
Sven Buder, astrofísico da Universidade Nacional da Austrália, observa em seu artigo no The Conversation que existem ressalvas: nem toda galáxia primitiva necessariamente formou muitos aglomerados globulares, e alguns podem ter desaparecido. A reconstrução também depende de modelos.
O Telescópio Espacial James Webb fornece outra parte desse quebra-cabeça, observando galáxias distantes como eram há mais de 12 bilhões de anos. Na Via Láctea, no entanto, os astrônomos podem estudar estrelas e aglomerados sobreviventes da mesma época.
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Buder explica: «A astronomia de longa distância nos dá instantâneos de galáxias jovens. E a 'arqueologia galáctica' nos dá seus fósseis».
A combinação dessas duas abordagens ajuda a transformar os primeiros bilhões de anos da existência da Via Láctea, que antes eram percebidos como muito vagos, em uma história cada vez mais detalhada do crescimento da nossa galáxia.
